Geoeconomia da energia: desafio é ter abundância de oferta, preço competitivo e segurança energética
Precisamos de políticas públicas do Executivo, das agências e do Legislativo que privilegiem a lógica do mercado e demonstrem as nossas vantagens como produtores nesse mundo em transformação
Se o século 20 foi a era do petróleo, os próximos anos serão o da energia. O petróleo predominou no século passado dado a sua abundância que proporcionou preços de barril baixos e fez com que a indústria do automóvel e seu motor a combustão fosse a principal indústria do período.
Agora, com a chamada quarta revolução industrial, todas as fontes energéticas terão um papel de protagonista, na medida que teremos um crescimento exponencial do consumo oriundo de data centers, criptomoedas e inteligência artificial. No final do dia, o século 20 se tornou a época da molécula e agora viveremos a do elétron.
O desafio é termos abundância de energia com preços competitivos que tragam segurança energética, como o petróleo trouxe nos chamados 30 anos gloriosos da economia mundial. O novo petróleo será a indústria de dados.

Diante desse novo cenário, quais serão os desafios e qual o papel que o Brasil pode exercer? O primeiro desafio é entendermos que, para que tenhamos energia abundante e barata, não podemos abrir mão de qualquer fonte de energia. Daí ter surgido o conceito mundialmente aceito de adição energética. Ou seja, precisamos ter prioridade crescente para segurança e custo de energia, muitas vezes acima da descarbonização.
A demanda global de energia deve crescer entre 16% e 57% até 2050 em comparação a 2022, segundo a Agência de Energia Americana (AIE). O destaque é para a eletricidade, que pode dobrar até lá com os data centers, no qual a demanda deve aumentar em 17% ao ano até 2030. Por isso, reiteramos que viveremos os anos do elétron. E uma das consequências principais é que a geração global de eletricidade a partir de usinas nucleares atingirá um recorde histórico em 2025.
Hoje, o Brasil possui protagonismo como um grande produtor de alimentos e proteínas, e poderá ter esse mesmo papel como produtor de energia. Nossa matriz elétrica é 85% renovável e temos uma das maiores diversidades energéticas do mundo, com fontes como o gás natural e a energia nuclear, que trazem segurança energética.
O que precisamos é de políticas públicas vindas do Executivo, das agências e do Legislativo que privilegiem a lógica do mercado, e, com isso, mostrem e demonstrem as nossas vantagens comparativas como produtores de energia nesse mundo em transformação.
O mundo hoje é o da computação quântica, da robótica, dos novos materiais, da inteligência artificial, dos datacenters. E, para atender essa demanda, precisaremos de segurança alimentar, segurança energética, minerais críticos e reservas de água. Na geoeconomia mundial, o Brasil preenche todos esses requisitos e desponta como país protagonista nessa era da quarta revolução industrial.

Espaço Adriano Pires
24 de Nov de 2025