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O governo não entende que controle de preços nunca deu certo em nenhum lugar do mundo e mostra definitivamente que é contra o lucro e não acredita no funcionamento do mercado

Mais uma vez o petróleo ocupa o centro do debate na nova ordem econômica mundial. Depois de ter sido demonizado por ambientalistas mais inflexíveis do mundo, o presidente Trump percebeu que o petróleo continua a ser a principal e mais estratégica fonte de energia do planeta.

Essa percepção do presidente Trump já estava clara durante a sua campanha eleitoral, no qual seus discursos mostravam a importância do petróleo para os Estados Unidos e para o mundo — e a falácia que estávamos vendo de que as energias renováveis iriam rapidamente substituir o petróleo a preços mais baratos.

O que estamos vendo é a colocação dessas suas ideias na prática, com o intuito final de criar uma ordem econômica do petróleo no mundo sob o comando dos Estados Unidos.

Isso começa com a entrada dos Estados Unidos na Venezuela em fevereiro, país que possui a maior reserva de petróleo do mundo (300 bilhões de barris), e agora continua com o conflito com o Irã. Defendo a ideia de que o argumento do conflito de pôr fim ao programa nuclear e restaurar um regime democrático é secundário.

O verdadeiro objetivo é controlar, por meio de um governo pró-americano, o petróleo. O fato é que estamos vivendo uma Guerra do petróleo. E quais as consequências dessa guerra?

Depende da sua duração e dos estragos que serão feitos nas infraestruturas do óleo e do gás naquela região. Os primeiros estragos vieram devido a uma questão logística, que foi o fechamento do Estreito de Ormuz. Isso levou o barril a US$ 80 e depois a US$ 90.

Posteriormente, com os ataques às instalações de petróleo e gás, o barril chegou a US$ 120. A volatilidade continua e fica difícil prever a evolução dos preços, já que podemos estar vivendo a maior disrupção da história no fornecimento de petróleo e do gás natural.

No Brasil, os efeitos do conflito são bem menores do que ocorreu nos choques do petróleo dos anos 1970, quando importávamos 80% do petróleo. Hoje somos exportadores, e o petróleo é o principal produto da nossa balança comercial.

Outro efeito positivo é na arrecadação dos royalties que irá beneficiar a União e os Estados e municípios produtores; em particular, o Estado do Rio de Janeiro. O efeito negativo é o erro recorrente de tentar controlar o preço do diesel com medidas populistas, como a recente Medida Provisória 1.340, que cria um imposto de exportação no petróleo, além de subvenções para importadores e produtores de diesel.

Segundo o governo, essas medidas reduzirão o preço do diesel na bomba em R$ 0,62/litro. O governo não entende que controle de preços nunca deu certo em nenhum lugar do mundo e mostra definitivamente que é contra o lucro e não acredita no funcionamento do mercado.

Publicado originalmente pelo Estadão.