Análise Semanal da Defasagem – 20/03/2025
No informe de hoje, 20 de março, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.
Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.
Cenário Internacional – No período de análise, os contratos futuros do petróleo e seus derivados tiveram outra semana de ganhos substanciais. O principal suporte às negociações foi a escalada do conflito entre Estados Unidos (EUA) – Israel e Irã, que levou ao agravamento das ameaças à oferta de petróleo no mercado global.
Durante a primeira sessão de referência, a commodity foi pressionada por um alívio pontual das sanções dos EUA sobre a indústria de Óleo e Gás (O&G) da Rússia. O movimento se somou a rumores de que representantes da Itália e França estariam em contato com autoridades iranianas para liberar a passagem de navios de seus países através do Estreito de Ormuz. Ao longo do mesmo dia, entretanto, as perdas foram revertidas e o barril entrou em território positivo. O principal suporte veio de uma reportagem do Wall Street Journal, que relatou o envio de uma unidade das forças expedicionárias da marinha norte-americana em direção ao Oriente Médio. Simultaneamente, declarações de oficiais dos EUA quanto à colocação de minas submarinas em Ormuz alimentaram temores de que o conflito possa trazer prejuízos para o trânsito de embarcações na região no longo prazo.
No dia seguinte, ativos do setor apresentaram uma breve correção em relação aos avanços anteriores. A maior pressão sobre a commodity veio do otimismo crescente quanto a uma reabertura parcial do Estreito de Ormuz, após diversos navios atravessarem o canal ao longo do fim de semana. A Índia vem tentando negociar a passagem de ao menos 6 navios pelo estreito, enquanto um número expressivo de países sinalizou a intenção de contatar o Irã afim de garantir o trânsito seguro de suas embarcações.
Ao longo da semana, a escalada das agressões no Oriente Médio, que tomou forma em uma nova onda de ataques à infraestrutura de O&G na região, continuou sendo o principal suporte às negociações. Após os EUA terem atacado a ilha de Kharg, ponto de distribuição crítico para as exportações de óleo do Irã, o governo do país lançou diversos drones e mísseis em direção a nações vizinhas. Nos Emirados Árabes Unidos (EAU), mais afetado no último bombardeio, operações em um campo de extração de gás natural e em um importante porto foram interrompidas.
Após Israel bombardear um importante gasoduto em Teerã, capital do Irã, o país atingido prometeu uma retaliação dura. Caso as ameaças se concretizem, esse pode ser o início de uma nova fase do conflito, com potencial de causar choques ainda maiores no mercado global devido a danos duradouros a ativos do setor. Em seguida, comentários de oficiais do governo dos EUA dissiparam parcialmente temores de observadores quanto à oferta de curto prazo. De acordo com o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o país continuará a buscar alternativas para aumentar o óleo disponível nos mercados globais, incluindo uma possível remoção das sanções sobre barris iranianos que já estejam em circulação ou, ainda, uma nova liberação unilateral de suas reservas estratégicas.
Petróleo Brent: Entre 12 e 19 de março, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram valorização de 8,15%, iniciando o período em US$ 100,46/b e fechando em US$ 108,65/b.
Cenário Nacional: Em 13/03, a Petrobras anunciou um reajuste de +11,53%, +R$ 0,38 em termos absolutos, no preço do diesel vendido em suas refinarias a partir de 14/03.
Taxa de Câmbio: Entre 12 e 19 de março, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou variação de +1,03%, iniciando o período em R$ 5,20/US$ e fechando em R$ 5,26/US$.

Dados
20 de Mar de 2026