Post

No informe de hoje, 4 de setembro, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.

Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.

Cenário Internacional – No período de análise, os contratos futuros de petróleo e de seus derivados acumularam alta expressiva, apesar da elevada volatilidade decorrente da predominância dos fatores geopolíticos sobre os fundamentos de mercado. A principal influência sobre os preços foi a escalada das hostilidades entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã, que ampliou as preocupações quanto à continuidade dos fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz e à possibilidade de interrupções prolongadas no abastecimento global.

No início do período, os preços recuaram diante de sinais de recuperação do fluxo de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz e da valorização do dólar. O Goldman Sachs estimou que as exportações de petróleo do Golfo Pérsico haviam alcançado entre 15 milhões e 16 milhões de barris por dia (b/d), cerca de dois terços dos níveis anteriores à guerra, reduzindo parte do prêmio de risco incorporado às cotações. Também contribuíram para o movimento baixista os relatos de que a Venezuela poderia deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o que aumentaria as preocupações com uma eventual intensificação da competição por participação de mercado entre os produtores.

A trajetória dos preços mudou a partir de 31 de agosto, quando a retomada dos confrontos entre EUA e Irã elevou significativamente o risco de novas interrupções no transporte de petróleo. Os ataques norte-americanos contra instalações iranianas associadas ao lançamento de foguetes e à colocação de minas, seguidos pela retaliação iraniana contra bases dos EUA no Oriente Médio, aumentaram as preocupações com a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. As perspectivas de uma prolongada tensão geopolítica foram reforçadas por declarações de autoridades norte-americanas e por relatos sobre a possibilidade de novos ataques contra o Irã.

Em 1º de setembro, a continuidade das hostilidades sustentou a alta dos preços, diante da percepção de que o conflito poderia se prolongar e comprometer por mais tempo os fluxos de energia pelo Estreito de Ormuz. A ausência de um cronograma para a resolução do conflito e a deterioração das perspectivas de retomada do acordo firmado entre EUA e Irã em junho contribuíram para manter elevado o prêmio de risco geopolítico.

Em 2 de setembro, além das tensões no Oriente Médio, as cotações encontraram suporte em dados de estoques de petróleo nos EUA mais restritivos do que o esperado. Os estoques comerciais recuaram 4,45 milhões de barris na semana, ante expectativa de queda de apenas 300 mil barris, enquanto os estoques da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) diminuíram 3,122 milhões de barris. Esses dados reforçaram a percepção de maior aperto no balanço de oferta e demanda no mercado norte-americano. Em contrapartida, a informação de que mais de 17 milhões de barris haviam transitado pelo Estreito de Ormuz em um único dia indicou que parte relevante do fluxo permanecia operacional, limitando a pressão de alta.

No último dia do recorte, a persistência do conflito continuou sustentando as cotações, mas os sinais de normalização parcial dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e a redução das preocupações imediatas com a oferta limitaram os ganhos. Declarações de Donald Trump sobre o controle norte-americano da passagem e relatos de escolta de embarcações transportando petróleo reforçaram a percepção de que, apesar do elevado risco geopolítico, o fluxo de petróleo pela região não havia sido completamente interrompido. O comportamento do dólar também influenciou os preços, com a queda do índice DXY oferecendo suporte às cotações.

Assim, ao longo do período, o risco geopolítico permaneceu como o principal vetor de alta, enquanto as evidências de manutenção e recuperação parcial dos fluxos pelo Estreito de Ormuz atuaram como importante fator de contenção. A queda dos estoques norte-americanos e a trajetória do dólar contribuíram adicionalmente para sustentar os preços. Paralelamente, os dados sobre as exportações sauditas em agosto, estimadas em cerca de 3 milhões de b/d, o menor nível em pelo menos nove anos, reforçaram a percepção de restrição da oferta. O resultado foi um mercado marcado pela disputa entre o prêmio de risco associado à possibilidade de novas interrupções no abastecimento e os sinais de que parte dos fluxos de petróleo continuava sendo preservada.

Petróleo Brent: Entre 28 de agosto e 3 de setembro, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram alta de 6,95%, iniciando o período em US$89,31/b e fechando em US$ 95,52/b.

Cenário Nacional: A Petrobras não realizou ajustes nos preços dos produtos vendidos em suas refinarias no período de análise.

Taxa de Câmbio: Entre 28 de agosto e 3 de setembro, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou recuo de 2,01%, ficando em R$ 5,10/US$.