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21 de set, 2026

O Brasil vive um paradoxo difícil de explicar para o consumidor: em alguns momentos, sobra energia, mas a tarifa segue alta e, ainda assim, existe risco de apagão.

Para Marcio Rea, diretor-geral do ONS, a explicação está na nova complexidade do sistema elétrico brasileiro. O problema deixou de ser apenas produzir energia. É preciso entregar potência, flexibilidade e equilíbrio no momento exato em que o sistema precisa.

“Hoje, o nosso problema é o horário de ponta,” disse Rea em conversa com Adriano Pires no POWER, o videocast de energia do Brazil Journal. 

Um dos principais desafios é o crescimento da geração distribuída, a GD — produzida nos telhados de casas, empresas e pequenos empreendimentos solares. Hoje, a GD representa algo entre 11 e 13 gigawatts – um volume expressivo para um sistema que opera com carga em torno de 70 a 80 gigawatts.

Segundo Rea, essa energia não é plenamente enxergada nem controlada pelo ONS. Ela entra pela rede de distribuição, reduz a carga percebida pelo sistema durante o dia e desaparece rapidamente no fim da tarde, quando o sol baixa. O Operador precisa acionar térmicas e hidrelétricas para preencher o “buraco”. 

Rea diz que é preciso colocar um “freio de organização” nesse setor. De acordo com ele, há um grupo de trabalho envolvendo o Ministério de Minas e Energia, o ONS e a Aneel para criar uma regulação nacional para a geração distribuída. 

No episódio completo, Pires e Rea também discutem o futuro das térmicas a gás, baterias, leilões anuais de capacidade, energia nuclear, leilões regionais e uma possível revisão da governança do setor.