Análise Semanal da Defasagem – 09/10/2026
No informe de hoje, 9 de outubro, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.
Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.
Cenário Internacional – No período de análise, os contratos futuros de petróleo e de seus derivados apresentaram forte volatilidade, encerrando o período em alta, refletindo a combinação entre a recuperação gradual dos fluxos de petróleo do Oriente Médio e a permanência de elevados riscos geopolíticos na região. As cotações foram pressionadas pela perspectiva de maior oferta, decorrente da recuperação das exportações, da liberação de estoques estratégicos pelos países do Grupo dos Sete (G7) e da revisão, para baixo, das projeções de demanda. Em sentido contrário, a intensificação dos ataques a navios no Estreito de Ormuz e os riscos associados à navegação pelo Mar Vermelho limitaram as perdas.
No primeiro dia da análise, os preços fecharam em leve queda, influenciados pelo anúncio do G7 de acelerar a liberação de estoques de petróleo e diesel, sob coordenação da International Energy Agency (IEA). A medida ampliou as perspectivas de oferta no mercado internacional. As perdas, contudo, foram limitadas pelo aumento das tensões no Oriente Médio, após relatos de que a Arábia Saudita preparava uma ofensiva contra os houthis no Iêmen. O avanço do grupo em áreas próximas ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb aumentou os riscos sobre uma rota que ganhou relevância para as exportações sauditas diante das restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz. A ampliação da presença militar norte-americana na região também sustentou o prêmio de risco.
No primeiro dia útil da semana, os contratos voltaram a recuar. A Arábia Saudita reduziu em US$ 3 por barril o preço de seu petróleo Arab Light para clientes asiáticos com entrega em novembro, movimento que contrariou as expectativas do mercado e sinalizou maior competição pela demanda. Também contribuiu para a queda a recuperação dos fluxos pelo oleoduto Leste-Oeste, cuja operação alcançou cerca de 80% da capacidade, ampliando as perspectivas de normalização das exportações. A valorização do dólar, com o índice DXY atingindo a maior cotação em aproximadamente um ano e meio, reforçou a pressão baixista. Em contrapartida, a ofensiva de forças apoiadas pela Arábia Saudita contra os houthis limitou as perdas ao elevar novamente os riscos geopolíticos.
Na sessão seguinte (6 de outubro), os preços fecharam em leve alta. Inicialmente, sinais de recuperação dos embarques do Oriente Médio pressionaram as cotações. O Kuwait informou produção equivalente a cerca de 75% do nível anterior à guerra, enquanto o Iraque buscava ampliar o transporte de suas cargas pelo Estreito de Ormuz. A reação, entretanto, mudou após relatos de intensificação dos ataques a petroleiros na região, elevando as preocupações com a segurança da navegação. A fraqueza do dólar também contribuiu para sustentar os preços.
No dia posterior, os contratos voltaram a encerrar em queda, influenciados principalmente pelas perspectivas de demanda. A EIA reduziu sua projeção para o consumo global de petróleo e outros líquidos em 2026 para 102,4 milhões de barris por dia (b/d). Ao mesmo tempo, dados da Kpler e da Vortexa indicaram recuperação das exportações de petróleo do Golfo Pérsico, excluindo o Irã, para cerca de 18,3 milhões e 18,6 milhões de b/d, respectivamente, com destaque para o aumento dos embarques sauditas. Esses dados reforçaram a percepção de maior disponibilidade de petróleo no mercado.
Apesar desse quadro, as preocupações com a oferta permaneceram relevantes. A intensificação dos ataques a navios no Estreito de Ormuz manteve elevado o risco de novas interrupções nos fluxos, enquanto os conflitos envolvendo os houthis continuaram a ameaçar a segurança da navegação no Mar Vermelho. O aumento do spread do petróleo bruto, por sua vez, indicou maior valorização dos barris para entrega imediata, estimulando as refinarias a garantir cargas.
No último dia da análise, os contratos futuros do petróleo tiveram alta expressiva, diante de sinais de possível escalada do conflito entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã. Uma reportagem da revista The Atlantic informou que a Casa Branca havia solicitado ao Pentágono a elaboração de opções de ataque contra o Irã, que poderiam ser executadas antes das eleições de meio de mandato. Segundo fontes israelenses, a eventual retomada das operações militares poderia envolver ataques de grande escala e participação de Israel. Além disso, o Irã intensificou os ataques contra navios-tanque que tentam transitar pelo Estreito de Ormuz, com a frequência dos ataques atingindo o maior nível desde o início da guerra.
Somou-se a esse contexto a interrupção temporária de pouco mais de 510 mil b/d da produção de petróleo no Golfo do México, nos EUA, equivalente a cerca de 25% da produção offshore da região, em resposta à aproximação do furacão Isaias. O aumento dos custos de frete para transportar petróleo para fora do Oriente Médio, que atingiram níveis recordes, também contribuiu para as preocupações com a oferta. O custo para transportar petróleo do Oriente Médio para a China chegou a cerca de US$ 1,4 milhão por dia, refletindo o aumento dos riscos associados à navegação na região.
Ao final do período, portanto, os riscos geopolíticos e logísticos voltaram a prevalecer sobre os fatores baixistas observados ao longo da semana, como a recuperação dos fluxos de petróleo do Oriente Médio, a liberação de estoques estratégicos e a revisão para baixo das projeções de demanda.
Petróleo Brent: Entre 2 e 8 de outubro de 2026, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram alta de 1,99%, iniciando o período em US$ 102,25/b e fechando em US$ 104,28/b.
Cenário Nacional: A Petrobras não realizou ajustes nos preços dos produtos vendidos em suas refinarias no período de análise.
Taxa de Câmbio: Entre 2 e 8 de outubro de 2026, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou recuo de 4,06%, ficando em R$ 5,01/US$.

Dados
9 de Out de 2026