Análise Semanal da Defasagem – 06/11/2026
No informe de hoje, 30 de outubro, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.
Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.
Cenário Internacional – No período em análise, os contratos futuros de petróleo apresentaram forte volatilidade e encerraram o recorte em expressiva desvalorização, apesar da recuperação registrada no último pregão. As cotações foram influenciadas principalmente pelas mudanças nas expectativas sobre o conflito entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã, com o mercado reavaliando os riscos de escalada militar, as perspectivas de avanço das negociações diplomáticas e a capacidade de recuperação dos fluxos de petróleo do Oriente Médio.
No primeiro dia do período, os preços encerraram a sessão em forte alta, alcançando os maiores níveis desde o final de abril. O movimento refletiu o aumento das preocupações com a segurança do abastecimento regional, após um ataque a um petroleiro no Estreito de Ormuz, com o uso de dispositivos explosivos, e novas ofensivas atribuídas aos houthis contra a Arábia Saudita, acompanhadas de ameaças à infraestrutura petrolífera do país. Entretanto, a partir do pregão de 2 de novembro, as cotações passaram a recuar expressivamente, diante dos sinais de avanço nas negociações conduzidas com a mediação do Catar e da maior disposição do governo iraniano para buscar uma solução diplomática. As declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, indicando que pretendia conceder mais tempo às tratativas antes de decidir sobre a retomada dos ataques, também contribuíram para reduzir as preocupações com uma escalada imediata do conflito.
A perspectiva de recomposição da oferta regional reforçou o movimento de baixa. Segundo dados de rastreamento de embarcações compilados pela Bloomberg, as exportações combinadas de petróleo bruto da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, do Iraque e do Kuwait aumentaram 10% em outubro, na comparação com setembro, alcançando 15,53 milhões de barris por dia (b/d). O aumento dos embarques reforçou a percepção de maior disponibilidade de petróleo no mercado internacional, reduzindo parte do prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações.
Em 3 de novembro, apesar dos relatos de ataques norte-americanos à Ilha de Qeshm, no Irã, os preços inverteram a trajetória inicial de alta e mantiveram o movimento de queda, diante de novas informações sobre o avanço das negociações diplomáticas entre Washington e Teerã. A desvalorização ganhou força no pregão seguinte, quando os contratos recuaram mais de 8%, atingindo os menores níveis de fechamento desde 31 de agosto. O movimento foi impulsionado, sobretudo, pelo resultado das eleições legislativas norte-americanas, com a conquista das duas casas do Congresso pelos democratas, o que ampliou as expectativas de maior pressão política sobre Donald Trump para encerrar o conflito. As declarações do vice-presidente J. D. Vance, que atribuiu à guerra parte da derrota republicana, e a sinalização de Trump de que não havia planos imediatos para novos ataques ao Irã reforçaram essa percepção.
Os fundamentos do mercado norte-americano também estiveram no radar dos investidores. Relatório semanal da U.S. Energy Information Administration (EIA), divulgado em 4 de novembro, apontou redução de 865 mil barris nos estoques comerciais de petróleo bruto, para 409,8 milhões de barris, enquanto a produção norte-americana permaneceu próxima de 14 milhões de b/d. Os estoques de destilados, que incluem o diesel, também registraram queda expressiva de 3,6 milhões de barris, para 99,3 milhões, atingindo o menor nível desde maio de 2003.
No último dia da análise, os contratos futuros do petróleo fecharam em forte alta, revertendo parte das perdas acumuladas nos dias anteriores. As cotações foram sustentadas principalmente pelos novos ataques a embarcações no Oriente Médio e pelas incertezas quanto à segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz. No mercado russo, os novos ataques da Ucrânia a instalações petrolíferas também elevaram as preocupações com a oferta de derivados. Entre os alvos, esteve a refinaria de Ryazan, uma das maiores do país, com capacidade de processamento de aproximadamente 340 mil b/d.
Apesar da recuperação no último pregão, as cotações permaneceram significativamente abaixo dos níveis registrados no início do período. O comportamento dos preços evidencia a predominância dos fatores geopolíticos na formação das expectativas do mercado, com a perspectiva de avanço diplomático contribuindo para reduzir o prêmio de risco, enquanto os ataques a embarcações e às instalações petrolíferas mantêm elevadas as incertezas sobre a regularidade do abastecimento internacional.
Petróleo Brent: Entre 30 de outubro e 5 de novembro de 2026, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram queda de 16,45%, iniciando o período em US$ 117,64/b e fechando em US$ 98,29/b.
Cenário Nacional: A Petrobras não realizou ajustes nos preços dos produtos vendidos em suas refinarias no período de análise.
Taxa de Câmbio: Entre 30 de outubro e 5 de novembro de 2026, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou um avanço de 0,75%, ficando em R$ 5,42/US$.

Dados
6 de Nov de 2026