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No informe de hoje, 11 de setembro, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.

Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.

Cenário Internacional – No período de análise, os contratos futuros de petróleo e de seus derivados acumularam forte alta, em um cenário marcado pela intensificação das tensões entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã e pelo aumento dos riscos de interrupção dos fluxos internacionais de petróleo no Oriente Médio.

No início do período, as cotações se recuperaram das perdas observadas durante a sessão e fecharam em alta. Inicialmente, os preços foram pressionados pela ausência de novas ações militares entre os EUA e o Irã, o que reduziu temporariamente as preocupações com novas interrupções no suprimento. A decisão da Saudi Aramco de manter inalterado o preço do petróleo Arab Light para clientes asiáticos com entrega prevista para outubro, contrariando as expectativas de aumento, também contribuiu para limitar a valorização.

Ao longo da sessão, entretanto, os preços encontraram suporte em sinais de redução dos fluxos globais de petróleo. Dados compilados pela Bloomberg, Kpler e Vortexa indicaram que as exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita recuaram em agosto para cerca de 3 milhões de barris por dia (b/d), o menor volume em pelo menos nove anos. Paralelamente, embora o petróleo continuasse transitando pelo Estreito de Ormuz, os fluxos permaneceram abaixo dos níveis observados antes da intensificação do conflito, contribuindo para restringir a oferta disponível no mercado internacional.

Após a retomada das negociações, em 8 de setembro, as cotações aceleraram a alta diante da intensificação das hostilidades no Oriente Médio. EUA e Irã trocaram ataques na região do Estreito de Ormuz, enquanto o Irã ameaçou embarcações próximas a Omã e afirmou que poderia ampliar os ataques contra interesses norte-americanos na região caso petroleiros iranianos fossem atingidos. O aumento das tensões elevou as preocupações quanto à segurança da navegação e à continuidade dos fluxos de petróleo pelo estreito.

O cenário também foi agravado por ataques dos rebeldes houthis do Iêmen contra instalações petrolíferas na Arábia Saudita. A refinaria de Jazan, com capacidade de 400 mil b/d, foi novamente atacada por mísseis e drones, enquanto instalações da Saudi Aramco em Abha e Najran também foram atingidas. Os episódios aumentaram os riscos de interrupções na infraestrutura petrolífera regional e contribuíram para elevar o prêmio de risco incorporado aos preços.

As cotações também encontraram suporte na percepção de que o balanço global de petróleo estaria se tornando mais restritivo. A Vitol avaliou que o mercado vinha se apertando diante da perda de aproximadamente 2 milhões de b/d das exportações do Oriente Médio e de outros 2 milhões de b/d da Rússia, em razão dos impactos dos ataques de drones realizados pela Ucrânia.

Em 9 de setembro, o petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 por barril, diante da intensificação dos confrontos e da possibilidade de novos impactos sobre os fluxos internacionais. Os EUA destruíram cinco petroleiros iranianos carregados com petróleo bruto após tentativas do Irã de atingir navios da Marinha norte-americana. Em resposta, o Irã realizou ataques contra uma base militar utilizada por tropas norte-americanas na Jordânia e voltou a ameaçar embarcações no Golfo Pérsico.

No último dia do período, as cotações avançaram novamente, sustentadas pela deterioração do cenário geopolítico. O Irã declarou estar preparado para uma guerra mais intensa e ameaçou ampliar os contra-ataques caso os EUA mantivessem as ações contra seu território e infraestrutura. Paralelamente, os houthis assumiram o controle da estratégica cidade portuária de Mocha, na costa oeste do Iêmen, ampliando sua presença nas proximidades do Estreito de Bab al-Mandeb. O avanço elevou os riscos para a segurança da navegação em uma importante rota marítima para o transporte internacional de petróleo, especialmente em um contexto de restrições aos fluxos pelo Estreito de Ormuz.

Além dos fatores geopolíticos, os preços foram impulsionados pela informação de que a produção de petróleo bruto da Arábia Saudita recuou em agosto para 6,238 milhões de b/d, o menor nível desde 1990. Dessa forma, a combinação entre menor produção e exportação de importantes produtores, riscos de interrupção da infraestrutura petrolífera e crescente ameaça à segurança das principais vias marítimas de transporte contribuiu para elevar significativamente as cotações ao longo da semana.

Petróleo Brent: Entre 4 e 10 de setembro, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram alta de 11,79%, iniciando o período em US$ 96,28/b e fechando em US$ 107,63/b.

Cenário Nacional: A Petrobras não realizou ajustes nos preços dos produtos vendidos em suas refinarias no período de análise.

Taxa de Câmbio: Entre 4 e 10 de setembro, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou recuo de 0,20%, ficando em R$ 5,11/US$.