Análise Semanal da Defasagem – 17/07/2026
No informe de hoje, 17 de julho, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.
Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.
Cenário Internacional – No período de análise, os contratos futuros do petróleo e de seus derivados acumularam acentuada alta. No início do período analisado, as cotações do barril de petróleo registraram poucas variações, à medida que os agentes do mercado ponderavam as renovadas tensões militares entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã e as expectativas de que o conflito permaneceria limitado, sem interromper as exportações de petróleo bruto do Golfo Pérsico. Em paralelo, declarações tanto do presidente norte-americano, Donald Trump, quanto de integrantes do governo foram favoráveis às tratativas diplomáticas com o Irã. Além disso, o Catar declarou apoio aos esforços para reduzir as tensões entre os EUA e o Irã.
Ainda nos primeiros dias da análise, os sinais de aumento da oferta global também pressionaram os preços, depois que a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) informou, em seu relatório mensal, que os Emirados Árabes Unidos elevaram a produção de petróleo bruto para um recorde de 4,1 milhões de barris por dia em junho.
Contudo, o movimento de alta ganhou força nos pregões seguintes em meio à escalada das hostilidades entre os EUA e o Irã no Estreito de Ormuz, após um fim de semana em que os EUA lançaram novos ataques com mísseis contra o Irã. Em retaliação, o Irã realizou ataques com mísseis e drones contra alvos na Jordânia, Bahrein, Kuwait e Catar. Também foram registrados ataques iranianos contra duas embarcações que tentavam transitar pela hidrovia. Na sequência, os EUA anunciaram o restabelecimento do bloqueio marítimo imposto ao Irã, impedindo embarcações iranianas de utilizar o estreito. O governo norte-americano ainda acrescentou que, caso contrário, a hidrovia permaneceria aberta “com ou sem o Irã” e que os EUA seriam o “guardião” do estreito, exigindo ser reembolsado por meio da cobrança de uma taxa correspondente a 20% de toda a carga enviada, como contrapartida pela proteção oferecida na região.
Os preços do petróleo também foram influenciados pela intensificação dos ataques com drones ucranianos à infraestrutura petrolífera russa. A produção de petróleo da Rússia caiu para 8,928 milhões de barris por dia (b/d) em junho, o menor nível em aproximadamente dois anos e meio, de acordo com dados mensais da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Segundo a EA Analytics, as taxas de processamento de petróleo russo tiveram média de 3,91 milhões de b/d nos primeiros dez dias de julho, o menor nível dos últimos 21 anos, em meio aos danos à infraestrutura energética russa causados por ataques de drones e mísseis da Ucrânia.
Nos últimos dias da análise, as cotações permaneceram sustentadas pelo fim do cessar-fogo entre os EUA e o Irã e pelos novos ataques a navios no Estreito de Ormuz, que reduziram o tráfego na hidrovia e restringiram a oferta global de petróleo. A Organização Marítima Internacional alertou que a navegação pelo Estreito de Ormuz havia se tornado extremamente perigosa diante da escalada do conflito, enquanto o fluxo de embarcações pela região caiu acentuadamente. Na sequência, novos ataques aéreos dos EUA atingiram um petroleiro iraniano sancionado no Golfo Pérsico. Em resposta, o Irã lançou ataques contra bases norte-americanas no Kuwait e na Jordânia, elevando novamente as tensões na região.
No entanto, os preços do petróleo desaceleraram e chegaram a operar em queda após a divulgação de dados semanais de estoques de petróleo nos Estados Unidos, que indicaram menor utilização das reservas estratégicas do país. Segundo o Departamento de Energia (DoE), apesar da redução de 1,7 milhão de barris nos estoques comerciais de petróleo bruto na última semana, houve aumento da produção doméstica e menor utilização das reservas estratégicas, fatores que contribuíram para reduzir a percepção de aperto na oferta.
As cotações também encontraram suporte no fortalecimento das margens de refino. Com as margens atingindo níveis elevados, as refinarias tendem a ampliar as compras de petróleo bruto para elevar a produção de gasolina e destilados.
No encerramento do período analisado, as cotações devolveram os ganhos registrados no início da sessão e fecharam em leve baixa, pressionadas pelo fortalecimento do dólar, que estimulou a realização de lucros e a liquidação de posições compradas. Ainda assim, os preços permaneceram sustentados pelas crescentes tensões entre os EUA e o Irã, que continuaram reduzindo o fluxo de petróleo pelo Oriente Médio. Segundo cálculos da Bloomberg, baseados em dados de rastreamento de navios e informações da Kpler e da Vortexa, a média móvel de sete dias do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, incluindo o fornecimento iraniano, caiu para cerca de 5,5 milhões de b/d, ante 9,4 milhões de b/d antes do fim do cessar-fogo entre os EUA e o Irã.
Petróleo Brent: Entre 10 e 16 de julho, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram alta de 10,81%, iniciando o período em US$ 76,01/b e fechando em US$ 84,23/b.
Cenário Nacional: A Petrobras não realizou ajustes nos preços dos produtos vendidos em suas refinarias no período de análise.
Taxa de Câmbio: Entre 10 e 16 de julho, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou queda de 0,22%, iniciando o período em R$ 5,11/US$ e fechando em R$ 5,10/US$.

Dados
17 de Jul de 2026