Análise Semanal da Defasagem – 24/07/2026
No informe de hoje, 24 de julho, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.
Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.
Cenário Internacional – No período de análise, os contratos futuros de petróleo e de seus derivados acumularam expressiva alta. Ao longo da semana, as cotações permaneceram sustentadas pelo agravamento do conflito entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã, com sucessivos ataques militares elevando os riscos ao fornecimento de petróleo por meio do Estreito de Ormuz. Também contribuíram para a valorização dos contratos as ameaças dos militantes Houthis, apoiados pelo Irã, de ampliar os ataques contra embarcações ligadas à Arábia Saudita no Mar Vermelho, aumentando as preocupações com a oferta global da commodity.
No primeiro dia do período, as cotações avançaram expressivamente após os EUA realizarem novos ataques contra o Irã pelo sexto dia consecutivo, atingindo instalações militares, infraestrutura logística e ativos marítimos. O Irã retaliou com ataques a bases norte-americanas no Kuwait, Jordânia e Bahrein. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que intensificaria as operações militares até que o Irã encerrasse as ofensivas contra navios no Estreito de Ormuz e reabrisse a hidrovia. Notícias do Wall Street Journal e da Axios indicando a ampliação das operações militares norte-americanas reforçaram o sentimento de risco no mercado.
No início da semana, novos ataques aéreos dos EUA contra alvos militares iranianos foram seguidos por retaliações do Irã contra bases norte-americanas no Kuwait, Jordânia, Bahrein e Iraque. Informações do New York Times sobre o envio de mais aeronaves militares ao Oriente Médio fortaleceram a percepção de continuidade da escalada do conflito. Paralelamente, os Houthis anunciaram a intenção de impor um bloqueio marítimo à Arábia Saudita, elevando os riscos às exportações de petróleo pelo Mar Vermelho.
Parte dos ganhos foi limitada após a Reuters informar que mediadores propuseram um cessar-fogo de dez dias entre EUA e Irã. O governo iraniano afirmou que permaneceria aberto à diplomacia, enquanto Qatar e Paquistão atuavam na tentativa de mediar o conflito. Apesar disso, a ausência de avanços concretos manteve elevada a percepção de risco geopolítico.
Ao longo do recorte, a troca de ataques entre EUA e Irã prosseguiu, enquanto mediadores buscavam negociar uma trégua. Os EUA atingiram centros de comando militar, bases de lançamento e sistemas de defesa aérea iranianos, ao passo que o Irã atacou instalações militares norte-americanas no Kuwait e na Jordânia. A Marinha do Reino Unido informou que duas embarcações foram atingidas nas proximidades do Estreito de Ormuz, enquanto diversos petroleiros alteraram suas rotas após alertas dos Houthis de que navios com origem ou destino a portos sauditas poderiam ser atacados. As declarações de Donald Trump descartando negociações imediatas também reduziram as expectativas de uma solução diplomática no curto prazo.
No penúltimo dia do período, EUA e Irã voltaram a afastar a perspectiva de negociações de paz. Os ataques norte-americanos permaneceram concentrados na degradação da capacidade iraniana de ameaçar o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã respondeu com ataques a bases dos EUA no Bahrein, Kuwait e Jordânia. O Joint Maritime Information Center informou que os Houthis intensificaram o emprego de mísseis e drones no Mar Vermelho e renovaram as ameaças ao transporte marítimo ligado à Arábia Saudita, aumentando as preocupações com as exportações de petróleo pelo porto de Yanbu.
Por fim, no último dia do período analisado, os contratos do Brent para setembro ultrapassaram US$ 100 por barril pela primeira vez desde maio, após os Houthis lançarem um ataque com mísseis e drones contra dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. O episódio ampliou os temores de interrupção da oferta global de petróleo para além do Estreito de Ormuz. Em paralelo, EUA e Irã trocaram ataques pelo 12º dia consecutivo, enquanto Donald Trump declarou, em entrevista à Axios, que avalia um “ataque massivo”, reforçando o prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações.
Petróleo Brent: Entre 17 e 23 de julho, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram alta de 14,29%, iniciando o período em US$ 88,10/b e fechando em US$ 100,69/b.
Cenário Nacional: A Petrobras não realizou ajustes nos preços dos produtos vendidos em suas refinarias no período de análise.
Taxa de Câmbio: Entre 17 e 23 de julho, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou queda de 0,72%, iniciando o período em R$ 5,12/US$ e fechando em R$ 5,08/US$.

Dados
24 de Jul de 2026