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No informe de hoje, 18 de setembro, divulgamos os dados diários e semanais do CBIE sobre defasagem da gasolina, diesel e GLP.

Leia aqui o relatório completo, incluindo versão em inglês.

Cenário Internacional – No período de análise, os contratos futuros de petróleo e de seus derivados apresentaram forte volatilidade e acumularam alta, em meio à alternância entre expectativas de normalização dos fluxos de petróleo no Oriente Médio e novos episódios de tensão geopolítica. Ao longo da semana, as perspectivas de recuperação da oferta saudita e de eventual reabertura do Estreito de Ormuz reduziram temporariamente o prêmio de risco incorporado às cotações. Entretanto, a continuidade das hostilidades e as incertezas quanto ao avanço das negociações entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã voltaram a pressionar os preços, especialmente após novos ataques contra a Arábia Saudita.

No primeiro dia do recorte, as cotações fecharam em queda, pressionadas pela expectativa de avanços diplomáticos capazes de reduzir as hostilidades no Oriente Médio e, consequentemente, os riscos de interrupção da oferta de petróleo na região. A possibilidade de o Irã contribuir para conter os ataques dos houthis contra a Arábia Saudita também reduziu os riscos percebidos de interrupção da oferta. Por outro lado, permaneceram preocupações com a capacidade de exportação saudita, diante dos danos provocados ao oleoduto Leste-Oeste, importante infraestrutura para o escoamento de petróleo da Arábia Saudita ao Mar Vermelho e uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz.

Entre os dias 21 e 22 de setembro, os preços recuaram de forma mais acentuada, diante de sinais de recuperação dos fluxos de petróleo. O aumento do tráfego pelo Estreito de Ormuz, apontado pelo Comando Central dos EUA, e a perspectiva de retomada das operações do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita reduziram as preocupações com a disponibilidade da commodity. Somaram-se a esses fatores as expectativas de avanço nas negociações entre Washington e Teerã e a possibilidade de reabertura do Estreito de Ormuz. A valorização do dólar também pressionou as cotações.

Em 23 de setembro, entretanto, os contratos futuros reverteram parte das perdas e fecharam em forte alta, diante do aumento das incertezas quanto ao fim das hostilidades e à normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz. A informação de que uma embarcação havia sido atingida por um projétil na região reforçou as preocupações com a segurança da navegação. A alta também ocorreu em meio à volatilidade provocada por informações sobre uma possível restrição às exportações norte-americanas de diesel, posteriormente negada pelo governo dos EUA. A divulgação do relatório semanal da U.S. Energy Information Administration (EIA) também influenciou as cotações, ao mostrar aumento inesperado nos estoques de petróleo e queda nos estoques de gasolina.

No último dia da análise, os preços intensificaram o movimento de alta. As cotações ampliaram os ganhos após ameaças do Irã de expandir o conflito no Oriente Médio, elevando os riscos associados ao abastecimento global de petróleo. Um membro sênior do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou que o país poderia ampliar o conflito para o Oceano Índico caso os EUA ou Israel realizassem novos ataques.

Os preços chegaram a recuar após a Reuters noticiar que EUA e Irã estariam discutindo um acordo para a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, em contrapartida ao levantamento do bloqueio econômico norte-americano aos portos iranianos. Autoridades do Catar estariam mediando as negociações. Contudo, as divergências entre os dois países e a manutenção da retórica de confronto favoreceram a retomada da alta das cotações.

Também contribuiu para o movimento de alta a informação sobre ataques atribuídos aos houthis contra a Arábia Saudita, nas proximidades de Yanbu e Taif, renovando as preocupações com a segurança da infraestrutura energética e das rotas de exportação da região. Yanbu é estratégica por ser o destino do petróleo transportado pelo oleoduto Leste-Oeste, importante alternativa para o escoamento das exportações sauditas sem a passagem por Ormuz.

O período foi marcado por intensa reprecificação dos contratos futuros, à medida que o mercado alternou sua percepção sobre a possibilidade de normalização dos fluxos de petróleo no Oriente Médio. O aumento dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e a retomada parcial da infraestrutura saudita reduziram temporariamente as cotações, mas novos episódios de tensão recolocaram os riscos de interrupção da oferta no centro da formação dos preços.

Petróleo Brent: Entre 18 e 24 de setembro, os contratos futuros do petróleo tipo Brent registraram alta de 2,63%, iniciando o período em US$ 103,87/b e fechando em US$ 106,60/b.

Cenário Nacional: A Petrobras não realizou ajustes nos preços dos produtos vendidos em suas refinarias no período de análise.

Taxa de Câmbio: Entre 18 e 24 de setembro, a taxa de câmbio do real em relação ao dólar registrou avanço de 0,43%, ficando em R$ 5,18/US$.