Como é feito o Transporte de Cargas no Brasil?

O transporte de cargas pode ser feito através de cinco modais, conforme apresentado na Figura 1:

  1. Transporte aeroviário: Utilizando aeronaves, esse modal é o mais usado para transportar pequeno volume de cargas de produtos de alto valor agregado e pouco peso. Aqueles que exigem segurança e emergência de entrega entre destinos distantes em curto prazo de tempo.
  2. Transporte aquaviário: Utilizando balsas, barcaças e navegação de cabotagem (porto-a-porto na costa) ou através dos oceanos, em grandes navios, esse modal é muito usado para transportar cargas de grande volume e peso. Geralmente, este carregamento também é conhecido por aquático ou hidroviário e é fundamental para o comércio internacional.
  3. Transporte dutoviário: Utilizando dutos ou tubos, esse o modal, já que se trata de uma demanda específica, de cargas gasosas ou líquidas entre médias distâncias. Ele é menos conhecido, exige a construção de infraestrutura fixas e costuma ser bastante utilizado no transporte de cargas denominadas como perigosas ou energéticas, como gás natural, petróleo e combustíveis.
  4. Transporte ferroviário: Utilizando trens, ferrovias, trilhos e estações, esse modal da transportação férrea, é usado para o carregamento de volumes grandes entre maiores distâncias terrestres. É muito utilizado nos países desenvolvidos, cuja infraestrutura fixa foi desenvolvida durante muitas décadas.
  5. Transporte rodoviário: Utilizando caminhões de todos os tamanhos e até pick-ups e vans e automóveis, é o mais utilizado para transporte em âmbito municipal e nacional para transportar mercadorias de pequeno a médio porte. Esse modal é ideal para distâncias que variam de curtas a médias para transportar os mais variados tipos de mercadoria. Tem grande flexibilidade, pois se utiliza da infraestrutura de rodovias de transporte de passageiros, inclusive urbana.
Figura 1: Modais de Transporte de Carga
Fonte: Reprodução

Como vimos, existem diferentes modais de transporte de carga que atendem às mais diferentes especificações, tais como volume, tamanho da carga, velocidade de entrega e, claro, custos. O setor de transporte de carga está em constante transformação. Inovação tecnológica, aumento no transporte colaborativo e melhora na infraestrutura, local e regional, são alguns dos fatores que levaram a essa transformação.

No Brasil, cerca de 60% da carga é transportada em rodovias. Segundo dados de 2015 do Plano Nacional de Logística, a dependência do país ao transporte de cargas por caminhões é a consequência de um processo histórico.

As rodovias brasileiras foram em geral construídas na direção oeste-leste e ao longo da costa, para propiciar tanto a exportação de bens agrários ou minerais quanto a importação de bens de consumo. A mudança deste paradigma se iniciou gradualmente na década de 1970-1980, mas só decolou de vez a partir dos últimos vinte anos com a integração norte-sul de rodovias.

As principais vantagens do transporte rodoviário são a comodidade e a capilaridade, ou quando a carga a transportar não é muito pesada ou de alto volume. Com o caminhão é possível transportar carga de uma forma fracionada ou dividida e com entrega de ponta a ponta. Além disso, a manutenção do transporte rodoviário tem um valor bem abaixo dos demais tipos de modais. Porém, a dependência no modal rodoviário tem se mostrado perigosa para o país após a grande greve dos caminhoneiros de 2018 e das pressões políticas que foram geradas após esta.

Apesar da predominância do transporte de cargas por meio rodoviário, a produção ferroviária, medida em toneladas versus quilômetros úteis (tku), o principal indicador para verificar como o modal se comporta na matriz de transportes, passou de 182 bilhões de tku, em 2003, para 292 bilhões de tku em 2011, um crescimento 60,4%. Segundo a ANTT, os investimentos na rede aumentaram de R$ 1,8 bilhão, em 2006, para R$ 4,9 bilhões em 2011, um aumento de 172%. Nos anos recentes, o aumento relativo no transporte ferroviária por meio de concessões aumentou em muito neste modal, principalmente a integração da Região Centro-Oeste.

Um modal que ainda é pouco aproveitado no Brasil apesar das enormes bacias hidrográficas existentes no Brasil é o aquaviário, com cerca de 1% do total, apesar de ter menos custos e ser mais seguro e menos poluente. Excetuando as bacias que permitem o transporte de barcas e barcaças¹, muitos rios não são navegáveis. Portanto, sua inflexibilidade limita seu uso. Apesar disso, o Ministério de Minas e Energia (MME), por meio da Empresa de Pesquisa (EPE), em parceria com o Ministério de Infraestrutura, já colocaram em concessão novas rotas que dependem de investimentos em dragagens e construção de bases de atracação e apoio.

Finalmente, o transporte dutoviário é muito importante para o país, principalmente por reduzir os custos nos transportes de combustíveis, necessário para o funcionamento de todos os outros modais de transporte. Além de diminuir o tráfego de substâncias perigosas e a incidência de desastres ecológicos, o sistema dutoviário é bastante seguro e pode transportar grande quantidade de carga (embora transporte pouca variedade de produtos) por longas distâncias. Este modal é bem econômico uma vez que apresenta baixo custo operacional de transporte e de energia, no entanto, as desvantagens do transporte dutoviário são: considerado um transporte em relação aos outros, além de apresentar pouca flexibilidade de destinos e de produtos.

¹ De acordo com dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), o país dispõe de 27,5 mil km de vias fluviais navegáveis, o que representa 64% de todo o potencial hidroviário do país.

(Fonte: CBIE)

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