Como se faz a Dragagem?

O processo de dragagem consiste em remover parte do fundo do mar, lagos, barragens, leito de rios e canais por meio de equipamentos chamados de dragas, a fim de torná-los mais fundos. Durante o processo são removidos materiais, solos, sedimentos, rochas e areia que se acumulam através do tempo devido ao vento, chuva e outros processos.

As duas principais formas deste procedimento são a dragagem inicial e a de manutenção. A inicial consiste na retirada de material para a criação de canais e lagos artificiais. Já a manutenção tem como finalidade manter uma determinada profundidade para a navegação de embarcações.

Este tipo de manutenção é importante para evitar o acúmulo de lixo e resíduos que podem atrapalhar na qualidade da água, mudar o curso natural da água e até mesmo prejudicar as operações de um determinado local. No caso dos portos, por exemplo, esse processo é o que garante a segurança na ancoragem de navios dos mais variados tamanhos, principalmente os maiores. Um porto com canais de navegação e locais de ancoragem seguros facilitam a atividade de carga/descarga, evitando atrasos e prejuízos econômicos. A ausência de dragagem pode minar rotas comerciais e sobrecarregar alguns portos. Assim, a manutenção da profundidade é um fator determinante para a competitividade de um porto, já que permite ganhos operacionais.

O processo de dragagem pode ser utilizado também para a exploração de minerais, como ouro e diamante. Nesses casos, o minério com valor comercial é retirado através de uma draga de sucção, por exemplo, e através de processos de centrifugação é sedimentado e separado do restante do material que é descartado.

Apesar de suas diversas vantagens, a dragagem é muitas vezes criticada por conta da questão ambiental, já que o processo é capaz de alterar a forma de rios, mudar o curso das águas e enchê-las de lodo, perturbando ecossistemas, dependendo da técnica utilizada. No entanto, há hoje diversas tecnologias que evitam e mitigam estes problemas.

A técnica conhecida como dragagem ambiental é inclusive muito importante para a saúde, já que o processo consiste em remover sedimentos contaminados por compostos orgânicos e inorgânicos que podem ser perigosos para a vida marítima ou humana. Esse tipo é também o ideal para a remoção de vegetação aquática. Diferentes de outros tipos de dragagem, que focam em remover os sedimentos rapidamente, a ambiental preza pelo menor impacto ambiental possível. Geralmente, são utilizadas dragas hidráulicas nesse processo. Seu propósito é remover a maior quantidade possível de resíduos presentes com a menor contaminação de água e turvação. Todas as etapas deste processo buscam utilizar práticas ambientais sustentáveis, como o manejo dos sedimentos em bags geotêxteis ou centrífugas.

O caso das barragens é um exemplo da importância da dragagem ambiental, já que a técnica remove todo o material acumulado contaminado com metais pesados. Além disso, através desse procedimento é possível controlar o volume de água, monitorar a quantidade de sedimentos e evitar que ocorram problemas que surgem pelo acúmulo de rejeitos.

Tipos de Dragas

As dragas podem ser classificadas das seguintes formas: como estacionárias ou transportadoras e como hidráulica, mecânica ou de sucção.

As dragas estacionárias são as mais simples. Elas permanecem em um único local, retiram os detritos do fundo e sua tubulação os bombeia para a margem do leito. Quando necessário, podem ser acopladas a uma barca. Já as transportadoras realizam a extração do material, armazenam os detritos em seu interior e se movem para despejar o material no local desejado.

As dragas mecânicas são utilizadas para a remoção de cascalho, areia e sedimentos muito coesivos, como argila, turfa, e silte altamente consolidado. Elas removem os detritos através da aplicação direta de uma força mecânica para escavar o material, considerando sua densidade. Os sedimentos removidos são geralmente transportados em barcas ou barcaças.

Já as dragas hidráulicas são muito usadas para a remoção de areia e silte pouco consolidado e não podem operar com materiais que contenham grandes pedras. Por remover sedimentos menos densos, estas dragas geralmente transportam os resíduos na forma líquida para sua remoção. Elas possuem bombas centrifugas, movidas por motores a diesel e elétricos, montadas sobre barcas. Este tipo de draga é o mais utilizado nos Estados Unidos.

Temos ainda as dragas de sucção, que podem ser aspiradoras ou cortadoras. Nas aspiradoras, a sucção é feita por meio de um grande bocal de aspiração. Com o auxílio de jatos de água, o material é desagregado e através de aberturas no bocal, é aspirado e levado junto com a água aos tubos de sucção. Elas atuam em linha reta e se movem em grande velocidade e por isso não são estacionárias, mas conectadas a barcas. Já as cortadoras dispõem de um rotor aspirador, equipado com lâminas que desagregam o material para que este possa ser aspirado para o interior do tubo de sucção. Apesar do funcionamento muito similar, as dragas cortadoras costumam ser mais eficientes já que os movimentos, neste caso, ocorrem na trajetória de arco.

(Fonte: CBIE)

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