Quais as diferenças entre os tipos de Produção de Petróleo?

A produção de petróleo em escala industrial pode ocorrer de dois modos, em terra (onshore) ou no mar (offshore). A Figura 1 demonstra os principais elementos que são utilizados nos dois tipos de produção de petróleo. Para a produção onshore é usado um processo de elevação artificial, através do bombeio mecânico com uma vareta de sucção, usando uma unidade de produção apelidada no Brasil de cavalo-de-pau ou cabeça-de-cavalo. Na produção offshore, plataformas em alto mar são fixadas, ou com tubos de aço de construção naval ou com ancoradas com cabos de aço. Equipamentos submarinos, ou subsea, são utilizados para trazer o petróleo dos poços no solo marítimo, que são perfurados até alcançar os reservatórios em até alguns quilômetros de profundidade, até as plataformas.

Depois que é realizada a extração do petróleo pelos poços de produção offshore, ele é armazenado na unidade de produção e então transportado em larga escala. Isto é feito através de oleodutos, que são tubos submarinos que transportam o óleo cru produzido, interligando as plataformas com terminais e estes entre si e as refinarias. Grandes navios-tanques, conhecidos como petroleiros, também realizam esse transporte.

Figura 1: Tipos de Produção de Petróleo
Fonte: CBIE

A menor produtividade por poço em terra comparado ao mar não inviabiliza a produção, pelo contrário, tendo em vista os custos menores e da fácil extração se comparado ao mar, o que facilita a participação de pequenas e médias empresas no setor. De fato, devido à menor profundidade onde o óleo está localizado, o custo de capital e a complexidade para iniciar a operação é muito menor.

Apesar de mais produtivos, os poços marítimos são muito mais caros de serem perfurados e desenvolvidos, exigindo uma logística avançada e tecnologia de ponta que não é o caso da perfuração de poços terrestres.

O Brasil perfurou cerca de 30 mil poços para produzir petróleo, sendo 23 mil em terra em terra e quase 7 mil mar, onde existem atualmente mais de 155 plataformas de petróleo, espalhadas por toda a costa brasileira. A partir do final da década 1970, a produtividade dos campos offshore suplantou em muito os campos onshore, atualmente sendo mais de 90% da produção doméstica. As plataformas mais produtivas do país são em sua maioria voltadas para produção em águas profundas, do tipo FPSO. Isto fez com que o Brasil atualmente ocupasse a 10ª posição no ranking global de produção de petróleo em 2019.

A produção de petróleo mundial histórica se concentra no Oriente Médio, com Irã, Iraque, EAU e Kuwait, países com alta produção onshore. É uma região com enormes reservatórios em baixa profundidade em terra, tendo sendo relativamente fácil criar a infraestrutura necessária para produção, após a metade do século XX.

A Rússia também foi um dos precursores da produção comercial de petróleo, na verdade até antes do Oriente Médio, pois a origem da indústria petrolífera neste país remete à produção em terra no século XIX em Baku. Atualmente a produção na Rússia é feita principalmente no centro do país, nas planícies da Sibéria.

Outra região grande produtora é a América do Norte (Estados Unidos, Canadá). Neste caso, a maior parte da produção é terra, mas também há uma produção offshore significativa no Golfo do México e Alasca. Nos Estados Unidos, boa parte da produção está sendo feita em reservas não convencionais, com técnicas avançadas como faturamento hidráulico e perfuração horizontal. A disparada do preço do petróleo a partir de 2000 até 2014 foi determinante para impulsionar esta produção não convencional americana, que tem um alto custo.

Os custos de extração são todos os custos operacionais da fase de produção de petróleo. Em inglês, é chamado de lifting cost. Mundialmente, o custo onshore é muito menor que o offshore. O Brasil se destacou dos países produtores offshore por investir em tecnologia de ponta para abaixar o custo de extração em águas profundas, principalmente nos enormes campos do Pré-sal, que são altamente produtivos em petróleo de boa qualidade. Esta é a única maneira do Brasil continuar competitivo com os maiores produtores mundiais, EUA, Rússia, e Arábia Saudita, no mercado mundial de exportação de petróleo.

(Fonte: CBIE)

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