Qual o Combustível usado por Navios?

Atualmente, o combustível utilizado pela maior parte (95%) dos navios comerciais do mundo é formado por derivados do petróleo chamado de óleo combustível, ou bunker oil. É uma mistura de óleo diesel com óleos residuais pesados da destilação do petróleo bruto, que emite óxidos de enxofre como subproduto da sua combustão no motor. Além de combustíveis para navios, o óleo combustível também é usado em boilers industriais e caldeiras de usinas térmicas para geração de energia elétrica.

Os óleos combustíveis são divididos em óleos APF (de alto ponto de fluidez) e óleos BPF (baixo ponto de fluidez), que são utilizados em motores de grande porte e de baixa rotação, como os motores de grandes navios. De qualquer modo, estes óleos precisam de cuidados especiais no uso pois são tão viscosos que é necessário aquecê-los para o uso como combustível. Tal dificuldade de torna os tipos mais comuns de óleo combustível mais baratos, outro motivo de serem usados em larga escala nos navios comerciais. Na aplicação em motores de um óleo combustível um importante fator a ser determinado é o retardo de ignição, que quanto menor for melhor, será o desempenho do combustível em suas aplicações. O processo de abastecimento dos navios é chamado de bunkering, como observado na Figura 1:

Figura 1 – Abastecimento de Óleo Combustível (Bunkering)
Fonte: Reprodução

O Brasil produziu 67 milhões de barris (MMb), exportou 35 MMb e importou 2 MMb de óleo combustível em 2018, conforme observado no gráfico abaixo. Apesar do período de crise econômica entre 2014 e 2016, o Brasil continua sendo um dos maiores consumidores de bunker oil do mundo, que é comercializado globalmente sendo transportado em navios-tanque para os principais portos do mundo.

Tabela 1 – Evolução da Oferta de Óleo Combustível no Brasil
Fonte: ANP

Pela variedade de procedimentos de processamento delineados nas refinarias, muito pouco do petróleo bruto processado é desperdiçado. Desde altamente voláteis gases dissolvidos até os compostos mais pesados quase não-voláteis e traços de carbono suspensos presentes no óleo original são convertidos em uma série de produtos úteis. Quaisquer componentes combustíveis que não sejam usados diretamente para a formulação de um produto são usados para gerar energia para a própria refinaria. O óleo combustível é destilado a cerca de 320° C e formado por uma mistura de diferentes cadeias de hidrocarbonetos.

Figura 2 – Processo de Destilação de Óleo Combustível
Fonte: Reprodução

Desde a primeira parte do século XX, a navegação marítima comercial passou gradualmente a se adaptar ao motor de combustão interna, substituindo o carvão, que era o combustível dominante na época. Um dos problemas do uso abundando do óleo combustível no mar são os altos índices de emissão dos óxidos de enxofre, gases poluentes e contaminantes atmosféricos que causam danos respiratórios à saúde, contribuem para formar a chuva ácida quando em grande concentração, além de contribuir para a acidificação dos oceanos.

Atualmente existe uma tendência global para substituir o bunker oil, com o enquadramento do Brasil à Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios (MARPOL) da Organização Marítima Internacional (em inglês, International Maritime Organization – IMO), que pretende reduzir mundialmente os níveis de óxidos de enxofre emitidos por navios de 3,5% em massa para 0,5%, também conhecida como IMO 2020. Há três opções principais para resolver o problema, substituindo o óleo combustível no curto prazo: tratamento para baixo teor de enxofre, uso direto de óleo diesel e adaptação para gás natural liquefeito (GNL).

As duas primeiras opções esbarram no alto custo, tanto que a principal resposta para os navios utilizados nas principais rotas e portos do mundo é a adoção de GNL como combustível, pois tem menor custo que o óleo diesel e a manutenção dos motores é mais barata. Quanto maior o navio e a distância navegada, maior a vantagem do GNL sobre o diesel e o óleo combustível tratado.

(Fonte: CBIE)

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