Brasil tem posição privilegiada na transição energética e precisa aproveitar cenário favorável
Com a demanda crescente por energia, discutir a origem desses combustíveis é essencial para pensar no futuro do país

Lideranças do Brasil em energias renováveis se reuniram nesta sexta-feira, 22, durante a 5ª edição do Fórum Esfera, realizado no Guarujá, em São Paulo, para discutir o futuro da matriz energética brasileira. Segundo eles, o país ocupa posição privilegiada e precisa saber aproveitar o atual momento global.
“O Brasil tem um potencial energético sem igual. Somos ricos em todas as fontes, petróleo, hidrelétrica, solar, eólica, quase todas as formas que são utilizadas e valorizadas pelo mundo. A chave disso é complementar as nossas fontes”, disse Lino Cançado, CEO da Eneva.
O Brasil possui, atualmente, quase 90% do seu consumo elétrico sendo suprido por energias sustentáveis, o que credencia o país como um dos maiores do mundo no assunto. No entanto, existem preocupações sobre a continuidade disso e a evolução do tema no ponto de vista de captação de recursos externos.
Para Adriano Pires, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o Brasil é um país de diversidade energética primorosa, mas isso precisa ser convertido em investimento estrangeiro.
“No momento estamos com excesso de projetos, de energia querendo ser comprada. No curto prazo, está tudo bem. Quando você estende a análise e percebe que somos uma sociedade cada vez mais eletrificada, percebemos que o Brasil precisa garantir aos compradores que terá segurança energética para ser fonte”, afirmou Elbia Gannoum, CEO da Abeeólica.
De acordo com a pesquisa Digital 2023:Global Overview Report da DataReportal, os brasileiros ficam 56,6% das horas acordadas em frente a telas, aproximadamente nove horas por dia. Com isso, surge uma preocupação recente: fornecer energia 24 horas por dia, nos sete dias da semana, para todo o país.
“Investimos R$ 14 bilhões em energia esse ano e vamos investir o mesmo ano que vem. Se a Axia falha, uma cidade fica sem luz no Brasil, não podemos errar. Se a empresa se posiciona para ter sua matriz limpa, ela precisa saber as condições macroeconômicas locais e globais para atrair investidores sofisticados”, explicou Ivan Monteiro, presidente da Axia, durante o painel.
Devido à capacidade de fornecer energia elétrica limpa que o Brasil tem, os painelistas destacaram ainda a necessidade de utilizar um novo contexto geopolítico mundial para beneficiar as produções nacionais. O diretor de Relações Institucionais da Vale, Kennedy Alencar, destacou que a geografia e a geopolítica ajudam o Brasil.
“Na economia 4.0, precisamos de energia à disposição 24 horas por dia, sete dias por semana”, complementou Lino Cançado.

Imprensa
25 de Maio de 2026