Cresce a defasagem entre os preços do diesel e da gasolina na refinaria

Por CBIE

De acordo com a atualização mais recente, em 25 de abril, o preço médio do diesel na refinaria nacional ficou em R$ 0,95/litro (ou -17,3%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA). O resultado deve-se ao aumento de 3,2% no preço internacional do diesel, e de 4,4% da taxa de câmbio (R$/US$) com relação à semana anterior (18/4). No período em análise, não houve reajustes no preço do diesel nas refinarias nacionais.

Veja o histórico dos últimos 2 anos no gráfico abaixo:

Na média semanal (de 18 a 25 de abril), o preço do diesel na refinaria nacional ficou R$ 0,58/litro (ou -11,2%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA).

O preço da gasolina doméstica ficou R$ 0,43/litro (ou -10,1%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA), em 25 de abril. O resultado teve influência da redução de 3,1% no preço internacional da gasolina, com relação à última semana, e do crescimento da taxa de câmbio, citada acima. Tal como para o diesel, não houve reajustes no preço da gasolina nas refinarias nacionais.

Acompanhe a variação nos últimos 2 anos:

Na média semanal (de 18 a 25 de abril), o preço da gasolina na refinaria nacional ficou R$ 0,30/litro (ou -7,2%) abaixo do preço do Golfo do México.

Na semana de referência, a cotação do barril de petróleo continuou apresentando alta volatilidade. O mercado encontra-se em um momento de grande vulnerabilidade à rumores e especulações. As preocupações em relação ao suprimento no curto prazo, e a aplicação de novas sanções derivadas da guerra no leste europeu, agregam ao preço da commodity um grande fator de incerteza sobre a oferta. Enquanto a imprevisibilidade do aumento de casos de contaminação por coronavírus na China e a persistência das políticas de “covid-zero” no país, alimentam o temor de um novo choque na demanda.

Segundo cálculos de informantes da Bloomberg no setor de energia chinês, o país pode estar se encaminhando para a maior queda na demanda pela commodity desde o lockdown em Wuhan, quando o vírus do Covid-19 apareceu pela primeira vez, em 2020. A expectativa é de que a demanda por gasolina, diesel e combustível de aviação, em abril de 2022, apresentem uma queda de 20% em relação ao mesmo mês do ano anterior, em termos absolutos, isso significaria uma redução de 1,2 milhão de barris por dia (b/d) no consumo de petróleo bruto da China. No final da semana, rumores de que o lockdown se expandiria para a capital do país, Pequim, começaram a emergir nos veículos de notícia internacional, alimentando no mercado o sentimento de insegurança quanto a demanda.

Durante o período de análise, especialistas do JPMorgan divulgaram projeções de preços para o barril do petróleo em diferentes cenários de sanções econômicas à Rússia. Segundo a analista Natasha Kaneva, o banimento imediato da importação do energético russo, iria retirar do mercado mais de 4 milhões de b/d e impulsionar os preços em cerca de 65%, para um patamar de US$ 185/b). Neste caso, devido a velocidade do corte, não haveria “demanda ociosa” ou tempo hábil para redirecionar o volume para outros mercados. Porém, os estudos apontam que um processo gradual, dentro de um período de no mínimo 4 meses, poderia atingir os objetivos sem impactos significativos na cotação, trazendo um cenário mais otimista ao mercado.

Além do fator especulativo acerca da demanda e oferta do curto prazo, o preço foi influenciado, também, por interrupções na cadeia de produção na Líbia e Cazaquistão. No primeiro país, a produção de petróleo já caiu cerca de 50%, em 535 mil b/d, devido a protestos políticos nas áreas de infraestrutura de exportação, refino e exploração, sendo a ocorrência mais recente a ocupação do campo de Sharara, no oeste do país, com capacidade de produção de 300 mil b/d. Já no Cazaquistão, as operações no Oleoduto do Consórcio Cáspio foram interrompidas após um acidente no terminal marinho, sem previsão de retorno. Em 2021, o duto foi responsável pelo transporte de aproximadamente 54 milhões de toneladas de petróleo.

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