Furação Ida dispara a defasagem negativa entre o preço de refinaria da gasolina e do diesel

Por CBIE

De acordo com a atualização mais recente, em 30 de agosto, o preço médio do diesel na refinaria nacional ficou em R$ 0,26/ litro (ou -8,4%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA). O resultado deve-se a elevação de 7,6% no preço internacional do diesel, balanceado pela redução de 3,2% na taxa de câmbio (R$/US$), com relação à semana anterior (23/8). Não houve ajustes no preço de refinaria doméstico do diesel na semana em análise.

Veja o histórico dos últimos 12 meses no gráfico abaixo:

Na média semanal (de 23 a 30 de agosto), o preço do diesel na refinaria nacional ficou em R$ 0,22/litro (ou -7,2%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA).

O preço da gasolina doméstica ficou R$ 0,72/litro (ou -20,5%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA), em 30 de agosto. O resultado teve influência da acentuada valorização de 16,2% no preço internacional da gasolina, com relação à última semana, e da variação da taxa de câmbio, citada acima. O preço de refinaria nacional da gasolina, também, não foi ajustado, na semana em análise.

Acompanhe a variação nos últimos 12 meses:

Na média semanal (de 23 a 30 de agosto), o preço da gasolina na refinaria nacional ficou em R$ 0,63/litro (ou -18,2%) abaixo do preço do Golfo do México.

No período em análise, o preço do barril de petróleo tipo Brent, além de permanecer sob influência dos efeitos da pandemia do coronavírus (Covid-19), também, contou com os efeitos do furação Ida. Desde meados de julho, a pandemia tem avançado nos Estados Unidos (EUA) e no continente asiático. O número crescente de infectados, internações e mortos teve continuidade na última semana. O mercado, receoso com a possível queda de demanda por energia, reage com a contração de capital nas atividades de óleo e gás. A estagnação na imunização e a aproximação do fim do verão são as variáveis no curto prazo que se somam a preocupação com a demanda por parte dos EUA. As economias asiáticas, principal continente consumidor, perderam fôlego no consumo e produtividade no último mês. Em virtude dos novos surtos, analistas também reduziram as expectativas de crescimento para o 2º semestre.

Na semana em análise, a cotação internacional do barril de petróleo oscilou positivamente. O petróleo tipo Brent fechou a semana com a valorização de 6,78%, superando as perdas da última semana. Embora a economia dos EUA tenha registrado piora nos índices de desemprego, com os pedidos de seguro-desemprego acima das projeções, a destruição causada pelo furação Ida foi o fator determinante para a elevação da cotação da commodity. A Secretaria de Segurança e Fiscalização Ambiental dos Estados Unidos afirmou que a passagem do Ida parou 95% da extração petrolífera na região. Responsável por 17% de toda a produção nacional de petróleo bruto e 45% da capacidade de refino nacional, a interrupção das operações no Golfo do México reduziu a oferta de combustíveis, levando à disparada nos preços.

Os dados semanais do estoque de petróleo bruto, disponibilizado pelo Departamento de Energia Americano (DOE), também, pressionaram os preços dos derivados, pois, a queda de 3 milhões barris excedeu a expectativa dos analistas, de queda de 2,4 milhões de barris.

A disseminação da variante Delta na China, Japão e Sudeste Asiático tem comprometido a reativação econômica desse importante eixo para a demanda da commodity. As bolsas financeiras na região operaram com volatilidade, receosas após o lockdown na Nova Zelândia e aumento de casos por toda a região. A reversão dessa perspectiva dependerá da ampla imunização da população da região.

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