Permanece em alta a defasagem negativa entre o preço de refinaria dos combustíveis

Por CBIE

De acordo com a atualização mais recente, em 25 de outubro, o preço médio do diesel na refinaria nacional ficou em R$ 0,85/litro (ou -21,6%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA). O resultado deve-se ao aumento de 1,1% no preço internacional do diesel, somado ao aumento de 1,4% na taxa de câmbio (R$/US$), com relação à semana anterior (18/10). Não houve ajustes no preço de refinaria doméstico do diesel na semana em análise. Entretanto, foi anunciado um ajuste, de 9%, com vigor a partir do dia 26, cujo efeito será observado na próxima análise.

Veja o histórico dos últimos 2 anos no gráfico abaixo:

Na média semanal (de 18 a 25 de outubro), o preço do diesel na refinaria nacional ficou R$ 0,84/litro (ou -21,5%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA).

O preço da gasolina doméstica ficou R$ 0,93/litro (ou -23,8%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA), em 25 de outubro. O resultado teve influência da elevação de 1,6% no preço internacional da gasolina, com relação à última semana, e da variação da taxa de câmbio, citada acima. O preço de refinaria nacional da gasolina, também, não teve ajuste, na semana em análise, porém, assim como o diesel, foi anunciado ajuste no dia 25, com efeitos a partir da próxima semana.

Acompanhe a variação nos últimos 2 anos:

Na média semanal (de 18 a 25 de outubro), o preço da gasolina na refinaria nacional ficou R$ 0,90/litro (ou -23,0%) abaixo do preço do Golfo do México.

No período em análise, o preço do barril de petróleo tipo Brent permaneceu sob influência dos efeitos da pandemia do coronavírus (Covid-19).Na última semana, ainda afetada pela variante delta, a China, assim como alguns países europeus, viu um novo um crescimento de casos de Covid-19. Consequentemente, a expectativa de uma nova onda traz apreensão aos agentes de mercado sobre uma possível queda de demanda da commodity a curto prazo. Entretanto, a retomada das atividades pelas economias segue ampliando a demanda de forma geral, sobretudo por energia, mas a oferta se mantém crescendo em ritmo menor, inflando os preços em diferentes setores. A incerteza se instaurou no mercado e a iminência da queda de temperaturas influenciou as expectativas.

A cotação da commodity, também, foi influenciada pela divulgação, por parte da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), das previsões climáticas acerca do inverno norte-americano, que indicam temperaturas amenas devido aos efeitos do fenômeno natural La Niña. Houve, ainda, a divulgação dos dados referentes à produção industrial dos Estados Unidos (EUA) e da China, que indicaram uma desaceleração da atividade. Nos EUA, a produção industrial teve queda de 1,3% em setembro, na comparação com o mês anterior, ampliando a queda de 0,1% de agosto. Na China, a produção industrial teve alta de 3,1% em setembro, contra alta de 5,3% no mês anterior. Os resultados contrariaram as expectativas do mercado e colaboraram a interromper a alta com preço do barril de petróleo, no início da semana em análise.

Os dados oficiais de estoques de petróleo nos EUA, divulgados na última semana, indicaram uma queda inesperada dos inventários. De acordo com o Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), os estoques norte-americanos de petróleo caíram 400 mil barris, contrariando a expectativa do mercado, seguindo em tendência de baixa. Nos últimos 6 anos, desde 2015, a mínima histórica dos estoques norte-americanos é de 394 milhões de barris, atingida em setembro de 2018, e, atualmente, o inventário se encontra em 426 milhões de barris.

Companhias da S&P 500 seguem com as divulgações dos balanços coorporativos referentes ao terceiro trimestre do ano, apontando resultados além das expectativas. Dentre os destaques em crescimento do trimestre estão Chevron e Exxon Mobil, multinacionais de peso do setor energético, além disso, o petróleo foi o ativo com a segunda maior taxa de retorno na análise anual, atrás somente da moeda digital bitcoin.

De acordo com uma declaração dada pelo ministro de energia da Arábia Saudita, Príncipe Abdulaziz bin Al-Saud, no Fórum Internacional Semana da Energia, realizado em Moscou, Rússia, a substituição de gás natural por óleo causada pela crise energética, pode representar uma demanda de 500 a 600 mil barris por dia. Para o ministro saudita, a intensidade do aumento na demanda pode variar de acordo com as temperaturas do inverno no hemisfério Norte, sobretudo na Eurásia, porém são influenciadas por uma expectativa de inverno rigoroso, devido a crise climática e temperaturas extremas já experienciadas este ano.

O ministro do petróleo iraquiano, Ihsan Abdul Jabbar, declarou durante evento em Bagdá, no Iraque, que acredita que o petróleo pode alcançar a marca de US$ 100 dólares no primeiro semestre de 2022. Ihsan junta-se ao grupo de figuras influentes do setor a se manifestarem a respeito de tal previsão, como Vladimir Putin, Presidente da Rússia; Marco Dunand, CEO da Mercuria Energy Group, e ao Bank of America. Todas as declarações acerca de previsões do preço do barril de petróleo foram realizadas ainda em outubro.

No fechamento da semana, a atenção de corretores e traders internacionais se voltou para um possível renascimento do acordo nuclear entre Irã e União Europeia, o qual pode trazer impactos significativos nos investimentos nacionais futuros do setor de energia.

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