Preço da gasolina e do diesel nas refinarias nacionais se aproxima da paridade de importação

Por CBIE

De acordo com a atualização mais recente, em 11 de abril, o preço médio do diesel na refinaria nacional ficou em R$ 0,15/litro (ou 3,6%) acima do preço no Golfo do México (EUA). O resultado deve-se a queda de 6,1% no preço internacional do diesel, e do aumento de 1,8% da taxa de câmbio (R$/US$) com relação à semana anterior (4/4). No período em análise, não houve reajustes no preço do diesel nas refinarias nacionais.

Veja o histórico dos últimos 2 anos no gráfico abaixo:

Na média semanal (de 4 a 11 de abril), o preço do diesel na refinaria nacional ficou R$ 0,01/litro (ou -0,1%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA).

O preço da gasolina doméstica ficou R$ 0,03/litro (ou 0,8%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA), em 11 de abril. O resultado teve influência da queda de 7,0% no preço internacional da gasolina, com relação à última semana, e do crescimento da taxa de câmbio, citada acima. Tal como para o diesel, não houve reajustes no preço da gasolina nas refinarias nacionais.

Acompanhe a variação nos últimos 2 anos:

Na média semanal (de 4 a 11 de abril), o preço da gasolina na refinaria nacional ficou R$ 0,08/litro (ou -2,0%) abaixo do preço do Golfo do México.

No período de análise, o preço do barril de petróleo foi influenciado, sobretudo, pelo avanço das medidas restritivas em cidades da China, e balanceado pela promoção de novas sanções contra a Rússia. Ao longo da semana, a possibilidade crescente de riscos, tanto à demanda quanto à oferta, alimentou o sentimento de incerteza presente nos mercados da commodity, e um alto nível de volatilidade na cotação da commodity.

No lado da demanda, o principal fator de pressão sobre os preços foi a queda da atividade econômica da China no mês de março. O lockdown no país já inclui 23 cidades, afetando um total de 197 milhões de habitantes, responsáveis por gerar cerca de 22% do Produto Interno Bruto chinês. Segundo Julie Gerdeman, CEO da Everstream, companhia de inteligência de mercado especializada em cadeias de suprimento, “É muito provável que, dada a severidade do surto de casos na China, cadeias de suprimento irá experienciar interrupções em função de escassez de insumos dentro dos próximos 7 a 10 dias”. Na mobilidade, já foi possível observar uma queda brusca na atividade, de acordo com dados recolhidos pela Bloomberg. Os voos realizados no país, no período de análise, alcançaram nível abaixo daquele visto no auge da pandemia, em 2020.

Em relação a oferta, os maiores riscos se apresentam ainda em função do volume de energéticos russos embargados, que devem ficar fora dos mercados durante tempo indefinido. A recente descoberta de indícios de crimes de guerra cometidos pela Rússia na região de Bucha, desencadeou uma nova onda de sanções dos Estados Unidos (EUA), União Europeia e Reino Unido. Dentre as novas medidas, teve destaque a adesão da União Europeia ao banimento de carvão mineral russo, o que trouxe de volta às discussões a proibição da importação de petróleo e gás natural vindo do país. Até o momento, países altamente dependentes da Rússia para suprimento energético, como Alemanha, Itália e Hungria, vinham se mostrando resistentes à embargos no setor.

Na semana de referência, a cotação do barril também sofreu pressão negativa em função das liberações de petróleo das reservas estratégicas dos EUA e de países membros da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Medidas desta natureza tendem a ser efetivas de forma pontual, garantindo o abastecimento do mercado no curto prazo. No entanto, não solucionam as preocupações acerca do longo prazo, além de levantar questionamentos acerca dos níveis de estoques internacionais. A insegurança de traders em relação à duração do conflito no leste europeu aumentou substancialmente após o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarar, em uma conferência de imprensa no Cosmódromo do país, que as negociações com a Ucrânia chegaram em um “beco sem saída”.

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