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O futuro da nossa economia e o sucesso da nossa transição energética dependem de decisões baseadas em análises e protocolos reais, não em proibições genéricas e antiquadas

A agenda de gás natural para 2026 promete. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a revisão tarifária do transporte vai impedir a duplicação dos ganhos com os ativos, e também, para combater a concentração de mercado, será discutida a implementação do gas release. Além disso, outras medidas, como a criação de um operador do sistema de gás podem entrar na pauta do Congresso.

Um assunto que precisa ser incluído na agenda é o fracking (ou fraturamento hidráulico), técnica que permite a exploração de gás natural retirado de rochas sedimentares, o shale gas. O Brasil possui uma das maiores reservas de shale do mundo, mas está completamente atrasado na sua exploração. Outros países que criaram condições para o desenvolvimento pleno do setor, como Estados Unidos e Argentina, têm colhido há anos benefícios econômicos expressivos.

Desde 2015, cerca de 1 milhão de poços com fraturamento hidráulico foram concluídos nos Estados Unidos. Em 2025, o país produziu 2,1 bilhões m³/dia de gás em formações não convencionais. Na Argentina, foram mais de 1.600 poços com fraturamento hidráulico até 2023. Hoje, quase 100% dos poços novos perfurados na Argentina usam fracking. Em 2025, 65% a 70% da produção americana e 66% da produção argentina de gás natural vieram de formações não convencionais, ou seja, shale.

O Brasil segue renunciando à geração de riquezas, ao aumento da segurança energética e perdendo oportunidade de avanço estratégico devido ao atraso no desenvolvimento de exploração de shale. Estima-se que o País tenha 245 trilhões de pés cúbicos de shale tecnicamente recuperáveis. No Brasil, a segurança do procedimento já é regulada por meio de resolução da ANP desde 2014. A insegurança jurídica, porém, ainda impera e bloqueia o andamento das atividades no País.

A exploração do xisto tem potencial para garantir a soberania energética brasileira, colocando fim à necessidade de importação de gás natural, que hoje representa de 30% a 40% do gás consumido no País. O interessante é que grande parte do gás importado é shale americano, e, agora, queremos importar shale do campo de Vaca Muerta na Argentina. A maior oferta de gás reduziria o seu preço, viabilizaria a interiorização do gás, e com isso a sua inclusão no agronegócio, hoje 73% dependente do diesel (40% mais poluente). Além de viabilizar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados, hoje importados da Rússia.

É hora de tirar o fracking da esfera do ativismo e trazê-lo para a mesa da ciência e da regulamentação. O futuro da nossa economia e o sucesso da nossa transição energética dependem de decisões baseadas em análises e protocolos reais, não em proibições genéricas e antiquadas.

Publicado originalmente pelo Estadão.