A pandemia e o cenário ambiental

Por Adriano Pires

Pandemia reduziu impacto ambiental

As emissões globais de CO2 caíram

Cenário ambiental promete ser outro

 

Em 2020, o primeiro ano da pandemia do coronavírus, o comportamento da economia mundial sofreu com os efeitos do isolamento social. Menos carros circulando, transportes públicos com horário reduzido, aviões no chão, dentre tantas outras coisas. Se por um lado os efeitos para a economia foram nocivos, para o meio ambiente foi o contrário, a pandemia fez com que as emissões globais de CO2 atingissem o menor patamar da história. Com as vacinas e a retomada da economia mundial, o cenário ambiental em 2021 promete ser outro.

No dia 2 de março, a Agência Internacional de Energia (IEA) divulgou, em seu relatório de Revisão Global de Energia, uma queda de 6% na emissão global de CO2, a menor desde a Segunda Guerra Mundial. De acordo com o relatório, diferentes setores, economicamente afetados em 2020, influenciaram na queda das emissões. Sem dúvida, os combustíveis fósseis foram os que mais colaboram na redução de CO2. A demanda por petróleo caiu 8,6%, sendo responsável por mais da metade da redução das emissões de CO2. A demanda por carvão caiu 4%. O setor elétrico foi responsável pela redução de 450 milhões de toneladas nas emissões globais. A baixa atividade no setor de transportes foi responsável pela queda de 50% na demanda global por petróleo. No setor de aviação essa queda foi de 35%.

Concomitantemente a redução da demanda de combustíveis fósseis, ocorreu o aumento da geração de energia renovável, com destaque para a geração solar e eólica. A queda de demanda de energia provocada pela pandemia aliada as baixas contratações a médio prazo, provocam uma grande disputa de projetos, alimentando ainda mais a competitividade das renováveis. As fontes de energia renováveis, em especial a solar e eólica, aumentaram suas participações no mix de energia global em 20%.

As economias emergentes tiveram a menor queda na emissão de CO2, apenas 4%, comparado a 10% nas economias mais desenvolvidas. Porém, apenas em abril a Índia, com uma população de aproximadamente 1,4 bilhões de pessoas, obteve o recorde mundial de menor emissão no mês chegando a uma queda de 40%.

A boa notícia da recuperação econômica, devido ao início da vacinação e sucesso das medidas de restrição em alguns países, vem acompanhada da volta do cenário de aumento de emissões. De acordo com especialistas do setor, cientistas, países como Estados Unidos, China e Brasil já possuem níveis de emissão igual ou acima dos pré-pandemia.

Em dezembro, os níveis de emissão nos Estados Unidos já estavam próximo aos apresentados no mesmo mês de 2019. De acordo com a IEA, essa alta foi atribuída a recuperação econômica e ao aumento do uso de carvão, ocasionado pela alta do preço do gás devido ao forte inverno. Mais uma vez os interesses econômicos prevalecendo sobre os ambientais.

As emissões na China durante todo o ano de 2020 aumentaram 0,8%, ou 75 milhões de toneladas, em relação aos níveis de 2019. No Brasil, a recuperação da atividade de transporte rodoviário e aéreo, levou a uma recuperação na demanda de petróleo, enquanto o aumento na demanda de gás nos últimos meses de 2020, em função da ligação das térmicas, empurrou as emissões acima dos níveis de 2019 ao longo do último trimestre.

A Coal India, empresa governamental indiana e uma entidade na mineração e refino de carvão, espera que o consumo de carvão seja impulsionado à medida que setores como aço, cimento e alumínio retornem aos níveis de produção anteriores ao vírus. A empresa aprovou neste mês mais de US$ 6 bilhões em investimentos em novas minas e expansões.

A queda das emissões em 2020 foi em grande parte resultado de mudanças temporárias de comportamento, e não mudanças estruturais de longo prazo na economia e nos sistemas de energia, que são necessárias para chegar a emissões mais baixas e atingir as metas impostas pelo Acordo de Paris. “Se as expectativas atuais de uma recuperação econômica global este ano forem confirmadas, e na ausência de grandes mudanças de política nas maiores economias do mundo, as emissões globais provavelmente aumentarão em 2021”, disse Fatih Birol, diretor executivo da IEA.

A mudança climática é um problema de emissões acumuladas ao longo do tempo. O que importa é a trajetória de longo prazo e não o que acontece em um ano. Uma característica do mundo pós-pandemia será a priorização de investimentos em projetos que tragam melhor qualidade de vida.

Em países em desenvolvimento deve prevalecer o social em detrimento do ambiental. Dado que ficaram mais pobres com a pandemia. O desafio de priorizar investimentos num mundo mais pobre é gigantesco. Em razão dos altos gastos públicos para minimizar os efeitos da pandemia, no curto prazo, a velocidade desta transição pode diminuir em países mais pobres.

 

 

Fonte: Poder360
Tags: Adriano Pires, CBIE, CBIE na Mídia, Coronavírus, Covid-19, Economia, Meio ambiente, Pandemia

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