Fazenda vê margem para acelerar corte de juros com petróleo a US$ 80
Colunista do UOL
O acordo entre Estados Unidos e Irã para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Hormuz muda o cenário para inflação e política monetária no Brasil, na visão de interlocutores do Ministério da Fazenda. “Minha avaliação é que amanhã o Copom vai dar o 0,25 ponto percentual (de corte) e reforçar a dependência de dados futuros para balizar os próximos passos. Se de fato estabilizar o petróleo, veremos um reversão persistente nas expectativas de inflação de 2026, 2027 e 2028, criando condições para, em agosto, o BC até passar a 0,50 pp de queda”, diz um alto assessor do ministro Dario Durigan.
No ministério do Planejamento, a distensão do cenário internacional também é visto como fator de alívio, mas com a ponderação de que ainda é preciso ver para onde vai o preço do petróleo. No início da manhã desta terça-feira, o barril do tipo Brent – referência mundial – era negociado próximo aos US$ 81. Na véspera do conflito no Irã, em 28 de fevereiro, a cotação era de US$ 72,48. Nos piores momentos da guerra, bateu US$ 118.
A Fazenda prevê ainda retirar as subvenções aos combustíveis – diesel, gasolina, etanol e querosene de aviação – que expiram em 31 de julho, se o petróleo continuar nesse nível.
Para Rodolfo Margato, economista da XP, não é possível descartar o cenário aventado pela Fazenda de queda mais acelerada de juros, mas não é o mais provável. “Nós esperamos mais dois cortes de 0,25 pp, um amanhã e outro em agosto, levando a Selic para 14% ao ano”, afirma. “Além do choque global de energia, outros fatores pesam sobre a inflação, como os riscos relacionados ao El Niño, a pressão sobre insumos globais, relacionados à corrida pela IA. Tudo converge para inflação de curto prazo acima de 5%. Acreditamos que o BC será cauteloso mantendo a redução em 0,25pp. Para acelerar, demandaria apreciação de câmbio (real mais valorizado), desaceleração da atividade econômica no curto prazo e descompressão em grupos do núcleo do IPCA, que continuam quentes”, arremata.
Adriano Pires, fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura, prevê que os preços do petróleo continuarão pressionados até o fim do ano, na casa dos US$ 80, com países do Golfo Pérsico reconstruindo a infraestutura petrolífera atingida por mísseis iranianos e o mundo recompondo os estoques de petróleo, atualmente em níveis muito menores, em decorrência do conflito.

Imprensa
17 de Jun de 2026