Garman, da Eurasia: o mundo “soft power” acabou — e o País pode ganhar com isso
23 de jan. de 2026
Neste episódio de POWER, Adriano Pires conversa com Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas do Eurasia Group, sobre as grandes transformações em curso na geopolítica global e o papel estratégico do País.
Para Garman, o mundo não está apenas passando por uma “turbulência”: vive um ponto de inflexão sem retorno, causado pelo populismo, inflação e aumento do custo de vida. “Nós estamos vendo a Casa Branca do governo Trump ameaçando a ordem multilateral por dentro,” diz.
Como consequência, países agora privilegiam autonomia sobre eficiência econômica. Para o cientista político, EUA e China tomaram opções “diametralmente opostas”: enquanto Pequim dobra a aposta na eletrificação, os americanos voltam ao petróleo e ao gás — e em intervenções nas Américas, como na Venezuela.
Na disputa por minerais críticos, Garman aponta que os chineses consolidaram uma vantagem estratégica. “A Casa Branca ficou assustadíssima com o poder de barganha que os chineses têm… foi o grande erro de cálculo: achando que os chineses dependem dos Estados Unidos mais do que eles dependem da China,” diz.
Diante da nova correlação de forças, a Europa emerge como uma incógnita. Garman analisa os acordos entre União Europeia e Mercosul: “a gente está um pouco preocupado com essa falta de liderança, com desafios econômicos e de segurança que o continente enfrenta. Um motor de dinamismo talvez venha de investimento muito mais pesado no setor bélico,” diz.
A entrevista termina com um recado aos brasileiros. Para Garman, o País reúne três ativos em alta demanda num mundo hard power: agro, energia e minerais críticos. A agenda seria integrar forças, atrair investimentos — inclusive para data centers e nuclear — e ajustar a política externa para uma melhor negociação, sem que o nacionalismo enterre oportunidades.
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23 de Fev de 2026