Mudança em reajuste do diesel gera dúvida sobre importação e regulação

Por André Ramalho e Rodrigo Polito, para o Valor Econômico

Mudança em reajuste do diesel gera dúvida sobre importação e regulação
Petrobras mudou sua política de reajuste de preços do diesel de produtor (Foto: Reprodução)

RIO – A mudança na periodicidade dos reajustes do diesel, anunciada hoje pela Petrobras, despertou incertezas em especialistas desse mercado. Para alguns, a medida gera insegurança quanto à regulação de preços. Para outros, a maior dúvida é como a alteração afetará a atividade das empresas importadoras do produto.

Na opinião do presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, a mudança é motivo de preocupação para o mercado e pode gerar insegurança regulatória, justamente no momento em que a companhia pretende vender ativos de refino no Brasil.

“O mercado vai ficar mais especulativo”, avaliou ele, destacando que, hoje, o preço do diesel vendido pela Petrobras nas refinarias está abaixo do preço internacional do combustível.

O especialista acrescentou que a medida cria uma insegurança regulatória. “E isso é muito ruim, no momento em que a Petrobras quer vender refinarias”, destacou ele. A Petrobras detém 98% da capacidade de refino do Brasil.

Já para outros analistas consultados pelo Valor, a medida ajudará a reduzir a volatilidade nos preços para os consumidores. Não deve gerar impactos financeiros para a estatal, se ela se mantiver alinhada à paridade internacional, mas lança dúvidas sobre como vão se comportar as importadoras privadas e, consequentemente, como isso afetará a participação de mercado da companhia.

“Ajuda a reduzir a volatilidade nos preços do diesel para os consumidores. Para a Petrobras, depois que ocorrerem os repasses a cada 15 dias, vale a pena monitorar o comportamento dos importadores e o market share da companhia no mercado doméstico, bem como [o nível] de utilização das refinarias”, avalia o analista do Santander, Gustavo Allevato.

Quando lançou a política de reajustes diários, a Petrobras pretendia, em parte, inibir as importações privadas. A lógica era de que, ao reajustar diariamente preços, importadoras teriam menos tempo de reagir à precificação da estatal nas suas estratégias de encomendas de cargas. De imediato, contudo, os reajustes diários pouco impactaram as importações e a Petrobras só veio a recuperar mercado depois de reduzir suas margens, na virada entre 2017 e 2018.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, as mudanças nas regras são prejudiciais às importadoras, porque dificultam o monitoramento do mercado doméstico sobre eventuais práticas anticoncorrenciais. Isso porque os preços de paridade divulgados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) — e que permitem o mercado comparar com os preços da Petrobras – são semanais. Araújo explica que, ao congelar os preços por 15 dias, fica mais difícil fazer essa comparação.

(Fonte: Valor)

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