Como foram as Crises do Petróleo?

Na década de 1970, o setor de petróleo passou por duas crises de preços, que de tão surpreendentes e impactantes, alteraram o mercado para sempre. Desde o início do século XX, a economia mundial, principalmente dos países mais industrializados, passou a depender muito do petróleo e seus derivados. A formação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) durante a década de 1960 para restringir a oferta no mercado internacional e sustentar os preços do petróleo foi uma das origens da primeira crise, em 1973. O Gráfico 1 mostra a evolução da produção de petróleo da OPEP durante o período das duas crises de petróleo.

Figura 1: Produção de Petróleo da OPEP – 1965 a 1986
Fonte: EIA – Preços do Brent

Historicamente, embora o Irã tenha sido o país no Oriente Médio pioneiro a ter sucesso na exploração e produção do petróleo já entre as décadas de 1920-30, a Arábia Saudita tomou o protagonismo na região após as descobertas de enormes campos após a segunda guerra mundial. De fato, a Arábia se tornou um dos maiores produtores não somente no Oriente Médio, mas também do Mundo, já na década de 1960. A produção saudita passou de 1 milhão de barris por dia (MM b/d) em 1955, para 2 MM b/d em 1965 e alcançou 8 MM b/d antes de 1975. Nesse meio tempo, tanto a Arábia Saudita quanto o Irã e outros países do Oriente Médio, como o Kuwait e o Iraque, foram se tornando os maiores exportadores líquidos de petróleo no mundo.

Enquanto isso, o maior produtor mundial à época, os Estados Unidos, também eram o maior consumidor. Para piorar, o país passou a enfrentar queda na produção a partir do início dos anos 1970 ao mesmo tempo que o consumo disparava, conforme observado pelo Gráfico 2. Isso significa que os EUA ficaram ainda mais dependentes da importação do Oriente Médio e outros países da OPEP.

Gráfico 2: Produção e Importação de Petróleo dos EUA durante as Crises do Petróleo
Fonte: EIA – Preços do Brent

Para entender a crise de preços, é preciso considerar o contexto político da época. Durante a Guerra do Yom Kipper, os Estados Unidos e países europeus declararam apoio a Israel contra Egito e Síria. Os países árabes retaliariam embargando a exportação de petróleo para os EUA e Europa, o que causou o preço do barril a subir de US$/b 2,90 no final de 1973 para US$/b 11,65 no início do ano seguinte. O gráfico 3 mostra o resultado no preço do petróleo durante as crises. Após o preço se estabilizar por alguns anos em um pouco acima de US$ 10 por barril, em 1978-1979 um novo evento político abalou os mercados, a Revolução Iraniana. Apesar de afetar o suprimento de apenas 9% da oferta global, um pânico generalizado resultou em elevação acentuada dos preços e novas recessões nos países importadores. Em 1980, a Guerra Irã-Iraque causou ainda mais preocupação nos mercados, levando o preço para uma média anual de US$/b 38. Depois de 1980, os preços do petróleo começaram um declínio de quase uma década

Gráfico 3: Produção e Importação de Petróleo dos EUA durante as Crises do Petróleo
Fonte: EIA – Preços do Brent

A reação da maioria dos países importadores de petróleo foi de racionar a oferta de gasolina. No Brasil, o governo manteve a compra de óleo aos novos preços, o que contribui para o endividamento público brasileiro. Uma medida positiva foi o investimento pesado em projetos de produção de álcool como combustível alternativo à gasolina. Um ponto negativo foi o governo não repassar o efeito do choque de preços ao diesel, o que provocou uma “dieselização” da frota, especialmente de caminhões.

(Fonte: CBIE)

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