Qual a Frota de Veículos Elétricos no Brasil?

O Brasil fechou o ano de 2018 com um total de 10.590 veículos elétricos e híbridos (combinação de motores elétricos e de combustão interna, conforme demonstrado na Figura 1). Este número representa um crescimento anual médio desde 2012 de 112% ao ano. Após anos de introdução gradual, veículos elétricos e híbridos são quase 0,05% da frota existente e no ano passado representaram 0,2% das vendas totais no país, cerca de 4 mil veículos.

Figura 1 – Veículos Elétricos e Híbridos
Fonte: Reprodução

A adoção de elétricos é uma tendência global no contexto da transição para fontes de energia menos poluentes, devido à preocupação com o impacto ambiental de combustíveis fósseis no setor de transportes. No curto prazo, a adoção extensa é improvável devido a barreiras econômicas como elevado preço de entrada e falta de espaço para incentivos governamentais. Certas barreiras podem ser reduzidas com o tempo, com espaço para expansão do uso de veículos elétricos, principalmente híbridos, no longo prazo, conforme apresentado no Gráfico 1. Veículos elétricos de passeio parecem ser uma tendência irreversível no mercado automotivo mundial, a eletrificação faz os carros serem mais eficientes que os de combustão interna, mas o objetivo pode ser atingido com otimização dos motores de combustão, desde que usem energia limpa, como biocombustíveis.

Com o advento dos veículos elétricos, o comparativo de emissões entre os diferentes veículos deve levar em consideração as emissões na produção dos veículos e dos combustíveis. Em muitos países a matriz de energia elétrica utiliza combustíveis fósseis e a produção dos veículos elétricos, devidos aos seus componentes, emite mais gases poluentes do efeito estufa do que um veículo com motor de combustão interna. Esta medição de emissões completas é denominada Emissões do Poço a Roda (Well-to-Wheel), que considera toda a cadeia e ciclo de vida do combustível e do veículo. Um comparativo entre diferentes tipos de combustíveis para veículos está demonstrado no gráfico 1.

Gráfico 1 – Emissões de Gases de Efeito Estufa – 2019
Fonte: DATAGRO, MAHLE

Os veículos elétricos ainda são itens de luxo, não representando ameaça para as vendas de carros tradicionais de motores de combustão interna no Brasil. O preço de entrada deste tipo de veículo é mais que o dobro do preço do carro médio no país, e além disso, a população tem uma renda média baixa comparada a países onde os elétricos estão sendo adotados em larga escala. Para comparação, o preço para um carro elétrico de entrada no Brasil custa quase 4 vezes a renda per capita média enquanto nos Estados Unidos o equivalente representa apenas 40% da renda per capita daquele país. Ainda assim, o mercado para veículos elétricos no Brasil pode chegar a 30 mil unidades nos próximos 5 anos, conforme observado no Gráfico 2, o que representa cerca de 20% do total de carros vendidos com preço acima de R$ 125 mil (o preço de entrada de um híbrido disponível no Brasil) ou 0,9 % do total de vendas de veículos em 2023. Note que em 2018, os veículos acima de R$ 125k representaram apenas 4,5% do total de vendas no Brasil.

Gráfico 2 – Projeção de Vendas de Veículos Elétricos no Brasil
Fonte: Estimativas Anfavea e JP Morgan

Como ponto positivo, o Brasil possui uma frota de veículos menos poluente dada a elevada participação do etanol entre os combustíveis utilizados. Devido à etapa de plantio, o etanol é tão eficiente, em termos de emissão total de CO2, que os elétricos puros, o que reduz o caráter emergencial de uma substituição da frota a curto prazo, além de indicar um caminho para uma solução de longo prazo, conforme o gráfico 3 sugere:

Gráfico 2 – Estágios de Adoção de Tecnologias Híbrida Etanol-Elétrica
Fonte: Estimativas Fiat Chrysler Automotives

O programa de descarbonização do Brasil, RenovaBio, deve impulsionar o consumo de etanol antes mesmo que os veículos elétricos sejam adotados em massa. A eletrificação de veículos deveria ser vista como complementar ao uso do etanol. Híbridos de etanol são uma boa solução para a matriz de transporte, justificado pela infraestrutura de distribuição já existente e os altos investimentos que seriam necessários para a adoção de veículos elétricos puros.

(Fonte: CBIE)

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