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Volatilidade tem sido a palavra repetida à exaustão quando se fala no preço do petróleo. Nesta quarta-feira, o Brasil amanheceu com o barril do Brent ultrapassando os US$ 95 no mercado internacional. Ainda assim, especialistas não acreditam que esses picos — que, admitem, podem ultrapassar os US$ 100 — se consolidem como o novo preço médio da commodity. A grande pergunta é: em que patamar o barril vai se estabilizar após o fim do conflito no Oriente Médio? Essa ainda é uma questão sem resposta, afirma Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Segundo ele, embora a disparada das cotações esteja diretamente ligada à guerra, alguns efeitos do conflito tendem a se tornar estruturais, como a destruição de refinarias, a redução da capacidade de produção e os problemas de escoamento do petróleo e de seus derivados.

— Neste momento, o preço está muito menos relacionado aos fatores endógenos da indústria, como oferta, demanda e crescimento econômico. O principal fator de preço hoje é a guerra. Quando esse conflito acabar, voltaremos a olhar para os elementos mais naturais do mercado, como o aumento ou a redução da produção da Opep e o ritmo de crescimento da China, que influencia a demanda por petróleo. É um momento de extrema volatilidade, especialmente quando há o fechamento do Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, parte dessa alta vai se tornando estrutural, porque alguns países deixam de produzir, outros enfrentam dificuldades de escoamento, os estoques se deterioram, os navios deixam de circular. Tudo isso será refletido no preço mesmo depois do fim da guerra. A grande pergunta agora é para onde vai esse preço. Neste momento, é muito difícil saber com clareza quanto do valor do barril é determinado pela oferta e demanda e quanto decorre da guerra — ressalta Rodrigues.

É consenso entre analistas que não interessa ao presidente Donald Trump manter o barril acima de US$ 90 às vésperas das eleições de meio de mandato, como observou Adriano Pires ao blog na semana passada. Por outro lado, afirma Rodrigues, a resistência do Irã tem surpreendido.

O fechamento do Estreito de Ormuz, que até o início do conflito, em fevereiro, era tratado apenas como uma ameaça, mostrou-se uma ferramenta de forte impacto sobre a economia global, inclusive no Brasil. A medida pressiona a inflação, mantém os juros em níveis elevados e prejudica as perspectivas de crescimento em diversos países.

— Desde 1973, no primeiro choque do petróleo, o Irã sempre ameaçou fechar o estreito, mas nunca havia levado essa ameaça adiante. Parece que Trump não fez esse cálculo. Apesar de ter um arsenal muito inferior ao dos Estados Unidos, o Irã tem demonstrado um poder de influência e de resistência que os americanos parecem não ter previsto. Essa escalada do petróleo não interessa a Donald Trump. Por isso, será preciso observar qual será o próximo movimento. O que nós, analistas, vemos é que, apesar dos picos na cotação, que podem, sim, superar os US$ 100, esse não deve ser o preço médio do barril — explica o diretor do CBIE