Segue negativa a defasagem entre os preços de refinaria da gasolina e do diesel

Por CBIE

De acordo com a atualização mais recente, em 28 de março, o preço médio do diesel na refinaria nacional ficou em R$ 0,57/litro (ou -11,1%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA). O resultado deve-se ao crescimento de 1,7% no preço internacional do diesel, e a queda de 3,5% da taxa de câmbio (R$/US$) com relação à semana anterior (21/03). No período em análise, não houve reajustes no preço do diesel nas refinarias nacionais.

Veja o histórico dos últimos 2 anos no gráfico abaixo:

Na média semanal (de 21 a 28 de março), o preço do diesel na refinaria nacional ficou R$ 0,75/litro (ou 14,1%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA).

O preço da gasolina doméstica ficou R$ 0,25/litro (ou -6%) abaixo do preço no Golfo do México (EUA), em 28 de março. O resultado teve influência da retração de 6,4% no preço internacional da gasolina, com relação à última semana, e da queda da taxa de câmbio, citada acima. Tal como para o diesel, não houve reajustes no preço da gasolina nas refinarias nacionais.

Acompanhe a variação nos últimos 2 anos:

Na média semanal (de 21 a 28 de março), o preço da gasolina na refinaria nacional ficou R$ 0,54/litro (ou -12,1%) abaixo do preço do Golfo do México.

No período de análise, o preço do barril de petróleo permaneceu sob forte influência das tensões geopolíticas derivadas do conflito entre Rússia e Ucrânia. Durante a semana, representantes da Rússia, Ucrânia e Turquia se reuniram em Istambul para discutir os termos e condições de um possível armistício. Entretanto, apesar de alguns veículos de mídia circularem notícias positivas acerca dos encontros, a continuidade dos ataques russos às cidades ucranianas eliminou grande parte do sentimento otimista. Em resposta ao fluxo constante de novas declarações acerca do conflito, os preços da commodity permaneceram altamente voláteis, refletindo o elevado nível de incerteza que permeia as negociações no mercado de petróleo.

Além do fator político decorrente da crise no leste europeu, os preços da commodity sofrem forte pressão do crescimento súbito de casos de Covid-19 em cidades da China. Em função do avanço de novos casos, foi decretado lockdown total em Shanghai, capital financeira e populacional do país, com 25 milhões de habitantes, onde ocorrerão testes em massa buscando controlar a transmissão do vírus.

Os mercados observam não somente a imposição de novas medidas restritivas na China e seu potencial impacto na demanda, como também o surgimento de uma nova variante, a Deltacron. A nova forma do vírus possuí características da Delta e da Ômicron, ambas variantes classificadas como de risco pela Organização Mundial da Saúde (WHO, na sigla em inglês), que foram responsáveis por duas ondas de contaminações anteriormente. A Deltacron, que foi identificada pela primeira vez na França e começou a ser detectada em outros países da Europa e nos EUA, preocupa os especialistas de saúde que ainda não conseguiram precisar sua transmissibilidade e letalidade.

Outros acontecimentos, ao longo da semana, também foram responsáveis pela alta volatilidade da commodity, criando sérios riscos de fornecimento. No Mar Negro, um terminal de exportação de petróleo segue com suas atividades paralisadas após dias devido às tempestades na região. Especialistas estimam que a suspensão do terminal custe ao mercado aproximadamente 1 milhão de b/d. No Oriente Médio, rebeldes Houthi realizaram mais ataques, com mísseis e drones, às estruturas de produção e refino da Saudi Aramco. Em Viena, Robert Malley, representante norte-americano nas negociações da retomada do acordo nuclear iraniano, se mostrou inseguro quanto ao curto prazo em suas últimas declarações, atribuindo a razão da incerteza às novas demandas realizadas por Tehran. Já nos EUA, o relatório semanal da EIA apontou queda de 2,5 milhões de barris nos estoques de petróleo, acompanhada de redução nos volumes de derivados e combustíveis destilados.

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