ANÁLISE: Pré-sal brasileiro sai como vencedor em conflito no Oriente Médio

O pré-sal brasileiro tende a sair por cima das tensões geopolíticas do Oriente Médio

Por André Ramalho para o Valor Econômico.

O pré-sal brasileiro tende a sair por cima das tensões geopolíticas do Oriente Médio. Os ataques às refinarias sauditas, neste fim de semana, podem trazer impactos positivos de curto a longo prazos sobre a atração de investimentos na principal região produtora do país.

(Foto: Helmut Otto/Agência Petrobras)

Ainda não está clara qual será a velocidade com que a Arábia Saudita e o mercado global conseguirão repor as perdas de produção após os eventos recentes. Independentemente disso, os novos conflitos geopolíticos tendem a valorizar a posição do pré-sal do Brasil como um ativo estratégico. Esse cenário deve ter um efeito já de curto prazo, já que o evento ocorre às vésperas da realização de três novos leilões com áreas do pré-sal, entre outubro e novembro.

“O Brasil está afastado das grandes zonas de conflito. Esse evento valoriza o pré-sal, que tem grandes reservas localizadas numa área geopolítica mais tranquila, fora da panela de pressão. O Brasil tem essa vantagem e tende a se fortalecer como um grande produtor e exportador de petróleo e atrair investimentos nessa área”, afirma o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

O consultor diz que ainda é cedo para se estimar os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, mas que o viés é de alta e deve contribuir, no curto prazo, para que as petroleiras reforcem seus caixas – justamente num momento crítico em que elas buscam recursos para pagar os elevados bônus de assinatura dos leilões brasileiros, sobretudo a rodada dos excedentes da cessão onerosa, cujos bônus são de R$ 106 bilhões.

Na visão do consultor, porém, o cenário de conflito no Oriente Médio, que revelou uma fragilidade na segurança dos ativos sauditas, não tende, necessariamente, a se traduzir em atração de investimentos para o refino brasileiro. Segundo ele, um outro efeito do evento deste fim de semana será o viés de alta dos preços dos combustíveis.

Ataque na Arábia Saudita pressiona preço do petróleo (Foto: Planet Labs Inc via AP)

“O efeito pode ser o contrário, a depender da movimentação dos reajustes da Petrobras. A principal barreira aos investimentos nas refinarias é o histórico recorrente de episódios de controle dos preços, no país. Teremos mais um teste para verificar o grau de autonomia da Petrobras nos seus reajustes. O cenário é de volatilidade, com viés de alta. Acredito que ela deve esperar um pouco para ver se preço se estabiliza, mas o aumento é inevitável. A velocidade e intensidade como isso se dará estará sendo monitorado pelos potenciais compradores das refinarias”, avalia Pires, que reiterou a defesa sobre a necessidade de criação de uma fundo estabilizador para atenuar as oscilações de preços dos combustíveis.

(Fonte: Valor Econômico)

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