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Pedro Rodrigues alerta que crise no Oriente Médio e disputa por gás elevam preços e reforçam importância da produção nacional

O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lança neste sábado (10.out.2026) o 183º episódio do programa “Infra em 1 Minuto”. No vídeo, o especialista em energia Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa os efeitos da redução da oferta global de GNL (gás natural liquefeito) sobre os preços internacionais e os riscos para o abastecimento energético brasileiro.

O programa é publicado semanalmente no canal do Poder360 no YouTube.

Assista ao vídeo (1min 29s):

O mercado internacional de GNL se aproxima do inverno no hemisfério Norte em meio a uma crise de oferta provocada pela guerra no Oriente Médio. As restrições à navegação no estreito de Ormuz e os danos à infraestrutura de gás do Catar, um dos maiores exportadores mundiais, reduziram o volume disponível para os países importadores.

Segundo Rodrigues, o Catar enviou 536 cargas de GNL a menos do que no mesmo período de 2025. O volume equivale a aproximadamente 39 milhões de toneladas, ou quase 9% de toda a oferta mundial registrada no ano passado.

A redução afeta principalmente a Ásia, destino de mais de 80% das exportações de gás catariano. Na região, o preço do GNL no mercado spot –de compra e venda para entrega no curto prazo– chegou a US$ 25 por milhão de BTU (unidade térmica britânica), alta de 140% em relação ao patamar anterior ao início da guerra.

Na Europa, a situação é agravada pelos baixos níveis de armazenamento de gás natural. Os estoques estão em cerca de 72% da capacidade, ante uma média próxima de 90% nos últimos 4 anos. Na Alemanha, maior economia europeia, o percentual é ainda menor, de 57%.

Para Rodrigues, o principal risco está na capacidade do mercado de GNL de transmitir choques de oferta entre diferentes regiões. Como o combustível pode ser transportado por navios e comercializado em diferentes mercados, compradores europeus e asiáticos passam a disputar as mesmas cargas.

“O problema é que a flexibilidade do GNL, que é a sua maior virtude, vira um transmissor de crise”, afirmou.

Segundo o especialista, um inverno mais rigoroso no hemisfério Norte pode ampliar a demanda por gás para aquecimento e intensificar a competição entre os importadores. Nesse cenário, uma escassez inicialmente concentrada em determinada região pode provocar aumentos de preços em escala global.

O Brasil também está sujeito aos efeitos dessa disputa. Embora conte com produção própria de gás natural, o país recorre às importações de GNL para complementar o abastecimento, especialmente em períodos de baixa disponibilidade hídrica, quando é necessário aumentar a geração de eletricidade nas usinas termelétricas.

Nessas situações, o custo do combustível importado fica exposto às oscilações do mercado internacional, incluindo os aumentos provocados pela competição entre Europa e Ásia.

Para Rodrigues, o cenário reforça a importância de ampliar a oferta doméstica de gás natural e investir na infraestrutura necessária para transportar o combustível dos campos produtores até os centros consumidores. O especialista também defende o aumento da concorrência no setor como forma de fortalecer a segurança energética do país.

“Segurança energética não se decreta. Se constrói com mais oferta e mais concorrência”, concluiu.

Publicado originalmente pelo Poder360.